A Economia Compartilhada muito além do Uber (Parte 1)

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A máquina de fazer máquinas

Tratar a questão da economia compartilhada, e da revolução tecnologia sem tocar na sua suas relações o Estado, a mais poderosa de todas as máquinas já inventadas, é na prática não falar de tecnologia nem economia compartilhada, mas fazer propaganda.

Há quem acredite que máquinas só se constroem usando coisas, mas o emprego de seres como coisas, talvez seja tão antigo quanto de coisas como armas. E o emprego de seres vivos não apenas como partes ou membros de máquinas, mas como processadores dos programas que sustentam todo o corpo artificial é tão antigo quanto a primeira linguagem de máquina: a escrita. Para quem não sabe, a escrita foi inventada para fins computacionais e contábeis estatais e não em favor dos povos. Se a palavra hoje é portadora do conhecimento e de mensagens de liberdade é porque ela foi revolucionada por pessoas que lhe deram novos sentidos e a redistribuíram livremente aos povos.

Não há dúvidas portanto que pessoas dentro do sistema sejam capazes de produzir novas formas de vida e organização independentes do aparelho ainda que elas mesmos continuem presas ao corpo. É possível até mesmo romper a artificialidade do sistema de dentro para fora, e até mesmo aqueles que estão presos a máquina como membros ou processadores, podem ser parte significativa da sua própria libertação, mas não sem serem elementos disruptivos, não sem se comportarem como um vírus para o sistema. Não sem se reconectarem entre si e com a o mundo natural através da natureza própria natureza criativa para poderem renascer de dentro da coisa morta e monstruosa.

Todo avanço material e tecnológico feito pelos servos destas máquinas estatais, se não for capaz de romper com a programação do sistema irá ser absorvida em última instancia expandir a plataforma de programas do sistemas. Não que os servos sustentam o sistemas por mal, é que as pessoas uma vez desconectados da rede da vida, uma vez desconectadas uma das outras, institucionalizadas e aculturadas são capazes tão somente de reproduzir a programação. A inteligência sem a rede, seu nexo original e natural se torna um terminal burro, e não processa outra informação senão a dada, nem é capaz de resultados fora os predeterminados. Seres fechados apenas em suas redes artificiais tendem a repetir e retroalimentar e reforçar suas pressupostos como conclusões, e tomar os dados por fatos, o sistema por realidade e a plataforma pela rede.

Seres coisificados por aculturação funcionam com células contaminadas replicando o DNA do hospedeiro ao invés do seu, e trabalhando como uma inteligência coletiva inconsciente uma colmeia cada vez mais complexa, mas não necessariamente mais desenvolvida. Tecnologias desenvolvidas dentro deste paradigma por mais inovadoras dificilmente conseguem superar o próprio limite epistemológico, o próprio horizonte de eventos que compõe os limites do que consideram o possível, e mesmo se materialmente revolucionários, por não conseguir transcender a própria concepção da materialidade acabam por continuar a ser continuamente incorporadas pelo sistema predeterminista materialista.

Tradução: não existem revolução tecnológicas capazes de revolucionar a vida das pessoas, porque são pessoas que produzem as revoluções tecnológicas. E do encontro entre as mais promissoras e libertarias tecnologias como os mais fanáticos e reacionários, não vem uma idade de luzes mas de trevas. Do encontro do conhecimento e a idolatria ao poder não nasce a liberdade mas a supremacia e o culto ao poder como conhecimento e a tecnologia como armas de dominação e destruição em massa.

Novas economias? Que espaço natural há para novas economias? Há sim espaço virtual, mas não vivemos ainda nas nuvens, comemos bebemos respiramos. Ainda precisamos da restituição dos direitos naturais ainda precisamos dos espaço-tempos simples e livres básicos e absolutamente comuns como necessidade vital a todos. Mas não há território livre natural só estatizada e corporativa. Novas economias na Terra precisariam literalmente se lançar ao mar, as águas internacionais, ou reocupar o espaço natural tomado pelo velho mundo. Por isso se a economia compartilhada ou qualquer outra nova economia tem qualquer pretensão de ser realmente nova precisa ter a coragem para matar esse Cronos que sobrevive de engolir suas crias, precisa libertar a humanidade da máquina feita de carne e que consome carne, e romper com a essência do mostro hobbesiano.

Não basta compartilhar a que se proteger o não se pode apropriar nem dividir, assim como garantir o que precisa ser de fato compartilhado por todos seja como dever seja como responsabilidade dos apropriadores e impostores de monopólios sobretudo de bens valores e violências. Sem uma revolução humana que resulte em uma nova tecnologia social capaz de proteger a vida humana e natural contra essa doença do culto ao supremacismo e idolatria ao poder nada irá ser suficiente novo nem na politica nem na economia. Porque como ensina o filósofo alemão o que não mata a coisa apenas a fortalece.

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