A Ditadura do Crime Organizado é “soberana”

A absolvição criminosa de Temer por esse sindicato de ladrões chamado Congresso Nacional está para o Brasil o que foi a promulgação da Constituinte de Maduro para a Venezuela: Apenas a confirmação institucional daquilo que quem não é um imbecil ou cúmplice já sabe: lá uma ditadura bolivariana, aqui uma ditadura oligarquica. Bandeiras? Ideologias? Discursos? Não sejamos tolos. Jogo de aparência fora, são exatamente os mesmos criminosos e tiranos dispostos a qualquer coisa para se perpetuar no poder.

Diferenças entre o Brasil e a Venezuela há muitas. Mas não se engane. Se não estamos a beira de uma guerra civil, não é por causa do fim das políticas econômicas governamentais. É simplesmente por conta que as dimensões, riquezas e recursos naturais gigantescos que compõe a economia brasileira e conseguem aguentar um nível absurdo de pilhagem e destruição. Mas não será assim eternamente, porque por mais gigante que sejam os recursos e riquezas brasileiras, como qualquer outro eles também tem um limite. Assim como a própria capacidade de sacrifício involuntário do povo brasileiro especialmente para pagar por tamanha servidão e prejuízo.

Há quem leia essa votação criminosa como o retorno do Brasil a normalidade que tanto Gilmar Mendes reclama. Impossível. Não que eu queira ou espere, ou o Brasil precise de mudanças, mas por uma lei natural simples. Entropia. O leite derramado não volta para jarra. A classe política pegou a última bala que tinha, engatilhou e atirou contra a própria cabeça, se matou como democracia. Ou melhor deu o tiro de misericórdia em si mesma. O Brasil assina para o mundo, não é um país, é um campo de concentração de mão-de-obra servil da raça brasileira, administrado por gangster, financiado por banksters, onde o povo não passa de refem destes comparsas criminosos instalados não mais dissimuladamente, mas explicita e oficialmente nos poderes de que supostamente foi um dia uma república. Não foi. Sempre foi uma farsa. A farsa da representação democrática.

Não, eles não atiraram e mataram a democracia, eles mataram a sua impostora. Eles atiraram contra seus próprios interesses. O corpo morto não é a democracia que nunca existiu. O corpo morto é a da impostara. E nu, sem máscaras ou dissimulação está o regime, a classe política, as agendas e interesses que os controlam, autoritário, criminosos, oligárquicos, corruptos, vendidos. Não é mais apenas o rei que está nu, é todo sua reino. É o rei, sua corte e seus verdadeiros senhores.

Hoje. A velha nova república oligárquica cometeu seu erro derradeiro. Deixou a prova dentro dos próprios anais das suas instituições não só do seu crime, mas da verdadeira identidade. Não é mais necessário deduzir nada, está registrado para a história do Brasil o que gerações presentes e futuras não devem esquecer, nem deixar que se apague: o Brasil é oficialmente uma ditadura de criminosos políticos. O que o avó, e avó do seu avó já sabia, hoje está lá assinado: somos um povo submetido a uma ditadura de bandidos e ladrões.

Não. Ao contrário do que Gilmar Mendes e companhia acredita não voltaremos nunca mais para o que essa condição abjeta que eles chamam de sua normalidade. Porque eles podem nos calar, processar, prender, pode de fato conseguir escapar da sua própria justiça, e instaurar a sua própria democracia, mas hoje nunca tantos brasileiros souberam que essa justiça, essa democracia, esses governo nunca foram os seus. Nunca foram o governo do Brasil, mas o governo contra o Brasil. Não adianta, as coisas não voltam mais. Porque a governabilidade é como um casamento, uma vez perdida completamente a credibilidade, uma vez perdida toda a confiança e o respeito eles nunca mais se recuperam ou reconstroem.

Não adianta. Quem pensa como Gilmar Mendes pode até conseguir novamente calar a boca, que ninguém diga o que pense, mas as pessoas pensam e sentem. E ninguém pode controlar o asco, o desprezo que sentem por essas pessoas. Concordo plenamente que não se possa fazer acusações contra a pessoa e a moral de absolutamente ninguém, nem dos piores bandidos condenados, nem dos piores elementos das classes politicas governamentais em qualquer um dos poderes. Mas ninguém pode exigir que as pessoas sintam respeito ou consideração ou parem de sentir esse absoluto repudio que sentem por esses tipos que tanto desprezam. Aliás, exigir eles até tem como com sua violência legalizada, e imbecis e maniacos autoritários que são, mas ainda sim as pessoas continuarão sem poder dar nem mesmo sob ameaças de tortura, morte ou prisão o que eles querem e agora precisam mais do que nunca. Porque sim, é possível se colonizar ou dizimar um povo pela supremacia e monopólio da violência, mas não, não é possível explorá-lo e governá-lo. Conquistas se fazem pela força armada. Mas governos não se mantem sem idolatria e servidão voluntária.

Essa regime, seus partidos políticos e seus donos podem (e vão) ainda destruir com a vida de muita gente antes de cair por definitiva. Mas seus dias estão contados. Porque esse dinossauro acaba de cortar a própria cabeça.

Podemos não saber para onde vamos. Mas talvez pela primeira vez na nossa história temos a certeza por onde não temos que ir. Pela primeira vez sabemos, temos a absoluta certeza que não será dentro da política nem no Estado que iremos construir o futuro do Brasil. Esse nível de consciência é aquele que transforma povos em nações, populações em comunidades, comunidades em sociedades. Não tem preço. E pela primeira vez não estamos a venda nem dispostos a comprar essas farsas.

Confesso que achei que as oligarquias brasileiras haviam entendido a situação e estavam a contornar o problema… que não haveria mais condição para de no Brasil criarmos a nova Democracia Direta que tanto o mundo e nós precisamos. Mas não. Eles não estão. Estão cegos, completamente fixados em suas agenda e interesses econômicos. Tanto melhor. Porque dependerá agora, nos próximos anos, mais do que nunca, nós a sociedade fazer do que eles. Porque deles o povo já sabe o que esperar, inclusive oficialmente. Isto é o Estado Brasileiro, a ditadura dos corruptos, onde o combate não vai se tornar a regra, mas continuará sendo a exceção.

Eu não sei quanto a você, mas eu não estou disposto a desistir do Brasil, da minha terra por causa deles. Proponho que todos nós troquemos o ativismo de protesto, pelo ativismo de livre associação e realização a revelia do governos. Proponho que mandemos as favas o monopólio estatal sobre o social, que nos juntamos e banquemos diretamente as causas sociais, obras e políticas públicas que consideramos relevantes sem pedir permissão como simples cidadãos. Que comecemos a praticar uma desobediência civil não com intuito de pressionar quem não tem caráter para ser pressionado de nenhuma forma a não ser reagir com violência ou repressão. Que gastamos nosso tempo, energia e dinheiro não com eles, mas diretamente com aquilo que acreditamos ser importante para o país. A internet está aí. Encontrar outras pessoas que pensam como nós. E nos associar não para gritar, mas para fazer o que eles não fazem é mais uma questão de vontade política cidadã do que de instrumentos ou capacidade de bloquear deles.

Não estou propondo nenhuma utopia. Nem pedindo para os outros façam o que não faço. Não estou falando em fazer nada mais do que já faço com as politicas públicas de renda básica, e muitos outros já fazem como outra causas sociais por qualquer causa, mas sobretudo estas como as transferências de renda que são pontos estratégicos, não só do desenvolvimento do país, mas por isso mesmo, das disputas e domínios e propagandas políticas-eleitorais.

Também não estou convidando ninguém a fazer nenhuma construção a priori coletiva, embora nada impeça que muita coisa boa nasça assim, estou dizendo para não esperarmos por elas. Para que como simples cidadãos, indivíduos, os átomos desse universo social tomemos iniciativas independentes, e compartilhemos abertamente mais do que palavras, mas ações. De modo que os consensos e dissensos se formem espontaneamente a partir da puro e simples exercício da liberdade não só de expressão pública, mas da ação social e popular. Pois mesmo toda manifestação que se torna a base de um coletivo ou sociedade, se verdadeiramente democrática ela sempre passará obrigatoriamente pela manifestação do pensamento de cada um dos seus autores, mesmo que estes não sejam seus realizadores.

Por vezes temos a impressão que a manifestação de um grande número de pessoas vale mais do que o de apenas uma. Ou que esse princípio democrático se sobrepõe sobre o direito natural. Não. Ele depende do consenso ou do consentimento de cada uma das partes tanto com o tema da decisão quanto o regime de tomada de decisão coletiva democrático. Mas antes disso tudo, sobre quais questões exatamente essa decisão ou manifestação coletiva tem poder de ingerência ou intervenção. Que naturalmente não é sobre tudo. Esta é a diferença fundamental entre as ditaduras da maioria ou dos coletivos sobre os indivíduos e as verdadeiras democracia de direito, estas respeitam o direito jusnatural da pessoa humana que é por definição não uma entidade mas um ser, um indivíduo.

Nestas verdadeiras democracias, cada cidadão é um desposta absolutista sobre a sua própria vida privada e particular, é o rei absoluto do seu rabo, sem nenhum poder sobre o rabo alheio, não tendo o outro seja ele um ou todos os demais reunidos em assembleia, nenhum poder sobre esses direitos que não seja o de reconhecer, respeitar e proteger, ou seja, deveres. O poder da coletividade emana do respeito mutuo desse direito particular que é universal. E não o inverso. De tal modo que a exigência de relações consensuais entre duas ou mais pessoas seja no que concerne a sua vida privada, seja no que concerne as coisas públicas é uma consequência dessas iniciativas e contratos sociais de paz.

A vontade soberana popular não é outra portanto senão a vontade diversa e manifesta não só em palavra, mas em ato social de cada cidadão como co-soberano desse regime democrático, onde a assembléia constituinte é formada pela própria sociedade em seu exercício pleno, voluntário e espontâneo da cidadania como responsabilidade social e respeito mútuo a comunhão de paz, seja este pacto constituído como acordo mútuo entre duas pessoas, uma nação inteira, ou até mesmo de forma unilateral quando a parte que age não viola os direitos das demais, mas assume voluntariamente a garantia dos mesmos conforme sua capacidade.

Essa proposta para que nós coloquemos proativamente como simples cidadãos sem a pretensão de formarem grupos, mas de forma absolutamente resoluta no sentido da livre expressão ou ação, é importante não só como estratégia de afirmação da soberania cidadã, mas também no combate a esse mal da prepotência política que já nasce antes de tudo na suposição de que para fazer política ou suas transformações é necessário entrar para a classe política, de tal modo que as demandas e propostas cidadãs não tem nenhum poder para transformar a sociedade.

Isto é um profundo engano. As transformações sociais se operam na cultura. O regramento politico-jurídico a institucionaliza e não inventa nem institui. Vide a legalização descarada, corrupção como aristocracia e burocracia. Não é a toa que o Brasil tem tantas leis que não são aplicadas ou simplesmente não pegam. Essa mentalidade e proceder governamental típicos de governos autoritários e povos servis não é ineficiente, ele é contraproducente a antissocial.

Muitos autores, e concordo com eles, classifica o Estado como a institucionalização de um roubo sistematizado que embora ao longo do estado tenha tentado amenizar a sua origem primitiva, nunca escapa e em momentos de crise sempre retorna e recorre a violência e predação das populações sobre seu domínio. Ora, mesmo se assim o for, a melhor forma de instigar o Estado ou a classe política para que ela realize algo, não é pedir é fazê-lo e esperar que esses animais políticos sigam seus instintos e façam a única coisa que sabem fazem, roubem o que a sociedade cria e produz para colher os frutos no intuito de maximizar suas vantagens e domínios como estes adventos.

Reza a lenda que o rei da Inglaterra querendo popularizar o consumo da batata, tida pela população como venenosa, plantou as batatas em seus jardim real e colocou sua guarda pessoal a vigiar 24 horas para que ninguém as roubasse. O mesmo principio vale igual, ou ainda melhor, para os políticos e governantes: mesmo se o intuito ainda seja só instigar que os governantes façam alguma coisa, qualquer coisa, a melhor coisa a se fazer ainda é criar e cultivar o que queremos. Depois é só esperar que as obras e ideias cresçam para que eles venham roubar e copiar. Melhor, não a única. É batata, especialmente quando a invenção é de interesse público ganha corpo pode ter certeza, o difícil não é convencê-los a fazê-la. O difícil é manter esses ladrões monopolizadores longe dos adventos sociais.

Sim, existe uma ética do ativismo social que se estende a todo exercício da cidadania, porque a cidadania que não tem o mínimo desse ativismo social, e sua ética, causas e ideais, uma cidadania completamente passiva ou reativa não é cidadania é servidão política. Mas só esse ativismo e essa ética não é suficiente, há que se ter o conhecimento e meios que manifestem esse exercício como livre iniciativa. E nisto a ação social que literalmente ocupa não os espaços públicos, mas sobretudo o espaço das políticas públicas monopolizados improdutivamente pelos governos, como se o bem comum e serviço social fosse uma espécie de latifundio só que voltado à especulação política, é tanto estratégia de luta por direitos políticos-civis, quanto simultaneamente já a consecução imediata dos mesmos perante a ditadura da conjuntura politica e econômica.

Definitivamente o despertar da sociedade brasileira, a descoberta que o interesse público e social não tem absolutamente nada a ver com o interesse político e governamental, muito pelo contrário, é de longe um efeito colateral positivo que esses gangsters e banksters nem imaginam o poder de cura e libertação popular que tem. Pior para eles melhor para nós, o povo.

Governe-se.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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