A casa de Espanha: É melhor sem temido ou amado?

É a Espanha mas também para o Brasil. Entre outros.

Recentemente me deparei com a seguinte pergunta: Fora a determinação dos povos existe mais alguma outra razões para apoiar a independência da Catalunha?

Existem vários. Mas se esse por si só não é razão suficiente, não há outras razões capazes de convencer quem não quer ser convencido. Porque se o direito de tomar decisões em paz sobre o destino da sua própria vida tanto privada quanto em comum, em igualdade e dialogando, sem ser impedido reprimido ou constrangido por quem acha que pode impor suas decisões a força não é razão mais do que suficiente para a pessoa defender a independência. Porque quem consente com relações e uniões forçadas, que acha que A pode manter relação com B a força, mesmo contra sua vontade. Não quer um mundo livre , quer coitar ou ser um coitado, ou os dois. Está disposto a dar o que não quer, não pode ou não tem. Ou tomar se puder desde que isso seja a norma e o normalidade por mais absurda doente degenerada que ela seja. Se não é rei, quer ser súdito e vassalo, quem sabe sonhando que havendo um trono ele poderá um dia se tornar um. O que por sinal é um direito deles, ninguém pode querer impor a força que ele saia de uma relação de violência e desrespeito, assim como não pode eles também tentar impor essa servilidade como realidade a quem não quer se manter submetido a ela. Ou então colocar uma arma na mesa e dizer você quer embora de casa? Quer se separar de mim, que sair da casa de Espanha? E caso ela digue, não eu quero. E daí dizer ao mundo, estão vendo ele ou ela consente em manter relações comigo.

Então se você acha o óbvio que os problemas da Catalunha é um assunto antes de tudo dos catalães. Assim como os de qualquer pessoas tribo família ou sociedade, região e país. O nosso direito como sulistas e sudestinos de intervir no norte ou nordeste. Não é diferente da America do Norte intervir na America do Sul, de qualquer união da Americas do Norte ao Sul intervir em qualquer pais ou Estado. Assim como o direito de qualquer sociedade ou estado de intervir na vida particular de uma pessoa, família, ou comunidade. Somo e estamos todos interligados, mas isso não obriga nenhuma pessoa a se tornar uma unidade de uma união, obriga a todos se querem viver em paz, negociar e eventualmente se unir em comunhão se essa for a decisão pacificamente negociada e acordada em contrato social. De modo que mesmo que nossas decisões brasileiras seja um problema para os nossos vizinhos, isso não permite a nenhum pais intervir usando forças militares para impor o que quer que seja. A menos que justamente as decisões brasileiras sejam por definição já essa intervenção, o que dá não de entrar e submeter os brasileiros a um poder externa, mas sim, o direito de defender contra esse pretensão de poder contra a soberania e liberdade dos povos.

Em suma governos sem consentimento expresso do povo com ele. Não é governo é ditadura, vide o regime Temer. Não importa o que diz a lei da ditadura, porque a lei é feita por quem governa, a revelia da aprovação reiterada do povo não é lei é decreto. Para que as pessoas que discordam de um governo sejam obrigados por contrato a se manter dentro não de um Estado, mas antes dentro de uma sociedade que legitime as obrigações tanto mutuas regidas pela lei e não por um governo, é necessário que essa pessoa concorde em permanecer unido a uma determinada ordem mesmo discordando das suas decisões. E caso discorde de tal modo que queira se separar, ainda sim é continua obrigado a deixando em paz as sociedades a qual não quer mais pertencer. Assim como estas tem por obrigação deixa-lo em paz.

E qual lei obriga A ou B a não simplesmente impor a força sua vontade, relação, comunhão, contrato contra quem não quer assiná-lo? A lei da natureza, que permite a todo ser lutar por sua vida e liberdade. É claro que o violento e poderoso, pode simplesmente passar por cima da vida e liberdade dos outros, mas não só faz dele um tirano, mas faz do estado que ele estabelece pelo monopólio da violência não um estado de paz, mas uma bomba em que ele está sentado em cima, pronta a explodir quando quem quer ser livre, ou que é a mesma coisa se livrar da sua tirania, tiver para tanto. Leis e Ordens , Estados mantidos por tirania, e não por verdadeiro contrato social onde existe por definição consentimento do povo ou povos que constituem a sociedade, são Estado mantidos pela espada e não pela pena, são impérios, e impérios morrem inevitavelmente como vivem pela espada. Caem pela violência que plantam quando ela volta e se volta para a casa. Estados mantidos pelo poder da força de fato não são acordos de paz, que formam sociedades mantida pela concórdia e consentimento tácito das partes, mas estados tácitos de guerra de quem domina contra quem não concorda em ser dominado. Ou seja rigorosamente não são por definição Estados, mas ocupações de territórios, colonial ou moderna, que não anula o direito a desobediência e insurgência. Não anula porque decretos não anulam nem proclamam esses direitos a liberdade, eles apenas o protegem ou violam, alimentando a paz e concórdia. ou ao contrário a discórdia e a guerra.

Nenhuma lei e a ordem é legítima se autoriza e legaliza o uso da violência contra manifestações de paz pela vida e liberdade. Porque o que legitima a lei e ordem não é poder ou supremacia da violência, mas a preservação da paz que não é outra coisa senão a abolição da violência e servidão e manutenção dessa abolição em favor da paz e liberdade de cada um e entre todos. Não é o poder que legitima ou decreta o direito a autodefesa, a autodeterminação e as livre comunhão de paz, são esses direitos que pelo contrário legitimam qualquer constituição de sociedades e Estados.

Deveres e punições se inventam, direitos naturais não. E Estados que inventam deveres e punições que violam esses direitos estão fadados a pagar por seus crimes, por nenhuma outra lei que senão a da própria lei da física e natureza, da ação e reação que compõe esse direito natural inalienável ao levante e legitima defesa. Porque leis e decretos não anulam a inescapável lei da consequência dos seus próprios atos.

É por isso que a pretensão dos estados tirânicos de manter sua juridição ilegitima pela legalização de seus crimes contra os direitos naturais e humanos é tola se acredita que é capaz de anular deslegitimar ou submeter direitos fundamentais a seu força de fato e decretos. Não é porque não existem forças de fato para impor direitos internacionais, ou melhor não para todos. Não é porque certos governos e governantes estão acima das lei internacionais, como estão todos em “seus” território acima das leis nacionais do seu próprio pais que eles conseguirão permanecer para sempre “impunes” ou manter seus estados de criminosos eternamente. Porque onde há vida, há direito a vida e liberdade. E mesmos que os estados exterminem os mais rebeldes para fazerem de exemplo para que os demais permaneçam servis e obedientes. Ao mesmo tempo que conseguem seu intento alimentam ainda mais a discordância contra ele. É como o irmão que assiste seu outro ser preso, morto ou espancado pelo Pai. Por mais que ele diga que é para o bem deles. essa farsa patriarcal do pátrio-poder, do estado pai e provedor já não funciona mais. Os regimes de tirania que carecem do medo e terror para manter sua ordem toda vez toda que utilizam desse expediente conseguem conter os levantes, porém a custo gigante, o do revelação da sua natureza e consequentemente a perda do consentimento tácito dos demais. Que podem não se levantar enquanto tiverem medo, mas bastará uma chance para perdê-lo que darão cabo ou se livrarão do tirano.

Maquiavel dizia que era melhor ser temido que ser amado. Provavelmente ou não era tão inteligente quanto se supõe ou muito mais do que se propõe, porque não era então um monarquista dando conselho a monarcas, mas um republicano a sabotar as monarquias. Porque como bem observa Hobbes para manter-se pelo medo e terror, o governante mesmo o mais poderoso precisaria não dormir nunca, constituir um estado vigilante e paróptico total, com olhos e informantes por todos os lados, uma Coréia do Norte, do contrário bastaria esse tirano dormir para ter seu pescoço cortado por seus desafetos. E eis o problema, quando seus olhos e mãos artificiais mesmo os mais próximos estão submetidos por medo e terror, o que garante que eles mesmos não cortarão seu pescoço?

É por isso que entre as expectativa de vida, só uma menor que a daquele submetido a escravidão. É daquele que senta totalitariamente em um trono. É por isso reis de velhos regimes e donos do trafico em morram tenham expectativa de vida tão curta. Shakespeare que não era filosofo politico é quem tem a razão: Quem vive tacando o terror (institucionalizado ou não) morre pelo terror (marginal ou não). Porque as circunstancias mudam mas a vontade de viver em liberdade permanece como universal. E quanto mais reprimida, quanto mais longa e escura a noite menor é o medo dela e maior a esperança e vontade de ver a luz do Sol renascer como ele é e deve ser: para todos.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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