3 Mitos para se jogar no lixo: o Progresso, a Linha de Pobreza e a Imparcialidade dos Estudos Sócio-Econômicos

Segundo a FAO e a fundação Bill e Melinda Gates o mundo vem fazendo progressos constantes contra a fome. Logo se você é pobre e passa fome, as estatísticas não mentem. Não há motivos para você ser tão pessimistas e egoísta, porque apesar da sua desgraça o mundo continua progredindo…

Um indício claro do progresso é que a população mundial abaixo da linha da pobreza — definida como renda diária de 1,90 dólar, ou menos — era de 35% em 1990, mas caiu para 9%, em 2016 — Bill Gates

O mundo fez um grande progresso na luta contra a pobreza desde 1990, mas ainda resta muito a fazer para reduzi-la a menos de 6% da população até 2030, afirma um relatório da Fundação Bill e Melinda Gates.

Criada pelo bilionário cofundador da Microsoft, a instituição pretende lançar relatórios anuais de monitoramento do progresso para atingir uma série de metas globais de desenvolvimento sustentável estabelecida pelas Nações Unidas em 2015.

Estimadas para serem atingidas até 2030, essas metas incluem eliminação da fome e da pobreza, oferta de água potável e energia acessível e combate à desigualdade de gênero e à mudança climática.

Chamado de “Goalkeepers”, o primeiro relatório da Fundação Gates foi lançado no momento em que a Assembleia Geral da ONU se prepara para seu encontro anual em Nova York, este mês.

O documento se concentrou em 18 dos indicadores de desenvolvimento estabelecidos pelas Nações Unidas.

“Estamos tentando documentar o incrível progresso” ao redor do mundo, “inclusive em tópicos-chave, como pobreza e diferentes áreas de doenças”, disse Bill Gates em um comunicado. (…)

“Pobreza não é só falta de dinheiro”, indicou Gates.

“Também é a falta de acesso a serviços financeiros básicos que ajudam os pobres a usar o dinheiro que têm para melhorar suas vidas”, completou.

O relatório destaca que cada vez mais pessoas com poucos recursos têm acesso a serviços financeiros.

Um indício claro do progresso é que a população mundial abaixo da linha da pobreza — definida como renda diária de 1,90 dólar, ou menos — era de 35% em 1990, mas caiu para 9%, em 2016. — Bill Gates destaca avanços contra pobreza mas ainda com muito a fazer

Mais de 815 milhões de pessoas. Cerca de quatro vezes a população do Brasil. Quase tantos quanto os habitantes da União Europeia e Estados Unidos juntos. Toda essa gente vai dormir todo dia sem ter comido as calorias mínimas para suas atividades diárias. Mas o número alto, calculado pelas Nações Unidas e publicado nesta sexta-feira, dia 15 de setembro, não é novidade: o número de famintos oficiais oscila entre os novecentos e tantos e os setecentos e muitos desde o início do século. A notícia é que, pela primeira vez desde 2003, a fome volta a aumentar.

Se há um ano 10,6% da humanidade passava fome, hoje são 11%. “São muitas más notícias”, lamenta Kostas Stamulis, diretor geral adjunto da FAO, a agência que faz os cálculos anuais do número de pessoas “subalimentadas”, ou que não consomem o número de calorias mínimo para suas necessidades vitais. “Por isso esperamos que pelo menos sirvam para fazer disparar o alarme e que os países ouçam”, reflete Stamulis. (…)

A agência insiste firmemente: acabar com a fome é uma questão de vontade política. Porque os alimentos produzidos mais do que sobram para que os quase 7,5 bilhões de habitantes do planeta comam o que necessitam para uma vida plena. O problema é quase sempre de distribuição: há regiões em que não chega comida suficiente, há pessoas (ou comunidades inteiras) sem dinheiro suficiente para comprá-la. (…)

“Ainda é cedo para saber se se trata de uma nova tendência ou se é algo pontual devido a crises em andamento”, ressalva o diretor da FAO. Os autores do relatório, do qual também participam o Programa Mundial de Alimentos, o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, o Unicef e a Organização Mundial de Saúde, advertem sobre a necessidade de continuar melhorando “a confiabilidade das estatísticas”, que estão sujeitas a contínuas atualizações. Várias vozes criticaram essas mudanças a posteriori, perguntando-se inclusive se os números não foram maquiados para parecer que os objetivos estão sendo cumpridos.

Apesar de o informe deste ano ser negativo, a série histórica traz progressos. Em 2000, os obrigados a dedicar seu dia a dia a buscar algo para comer, condenados a não desenvolver todo seu potencial físico e humano, eram 14,7% da população mundial. Hoje são 11%. Mas, como se pergunta o escritor argentino Martín Caparrós em seu enciclopédico A fome: “E se em vez de centenas de milhões de famintos fossem 100? E se fossem 24? Então diríamos, ‘ah, bem, não é tão grave’? A partir de quantos começa a ser grave?”. — Fome aumenta pela primeira vez em quase 15 anos

Sabe o que estes dados sobre a pobreza para quem é pobre? Nada. Ser pobre é como é basicamente como se estar no day after de um furação. Você muitas vezes, casa caindo, comida acabando, água nem sempre limpa, não tem trabalho, que trabalho? as vezes não tem luz, não tem nem estrada, não tem onde comprar as coisas, nem ninguém para quem pedir ajuda. Uma pessoa que se encontre nessa situação, espera só por uma resposta: quando o resgate vai chegar até ela. Mas o que chega é basicamente o seguinte relatório: 20 por cento das pessoas foram resgatas. Legal, que bom para eles. E? A diferença é que depois não de anos, mas de gerações e gerações nascidas esquecidas nestas condições as pessoas não esperam nada. E as notícias sobre a pobreza são de rico para rico, ou no máximo de rico para remediado, para que todos durmam tranquilamente seu soninho pensando, orgulhoso por estar fazendo sua parte na marcha do progresso da humanidade? Pense que a pobreza é um incêndio florestal, e que o homem tem plenas condições tecnológicas e recursos para acabar com esse incêndio. Agora imagine que a cada ano, eles digam para você, estamos progredindo daqui a 50 anos acabamos com ele. E se você já viu relatórios de 100 anos atrás sabem que eles já diziam isso naquela época. Então você sabe que esse é aquele tipo de progressão feita para nunca chegar de fato a um fim.

Mas não é esse o único problema com esses dados e relatórios. Vou assinalar 3 que as matérias denotam: as distorções que a linha da pobreza geram e as distorções que a denominada eufemisticamente “vontade” política gera.

Vamos começar pelo mais óbvio.

A vontade política

Não sei se vocês já perceberam e não precisam de nenhum estudo para comprovar isso, que pobreza e miséria é um fenômeno que coincidentemente ocorre nos mesmos países onde a corrupção percebida é gigantesca. Isso não quer dizer que nos países ricos não exista corrupção passando despercebida, isto quer dizer que somada a corrupção percebida somada a despercebida nesses países empobrecidos é ainda mais gigantesca do que a aparente. Isto por suposto, agora pense comigo, tomando o Brasil como exemplo, você acha que essa “vontade política” que rouba, manda matar, forma quadrilha, e faz o diabo, nomeia criminosos para Bancos, Estatais, Ministérios, até prestação de contas do governo, na hora de publicar dados sobre pobreza vai dizer: “ah, não isso não pode, esses dados vão ser usados pela ONU para medir o progresso da humanidade no combate a fome?” Ah, será que esses caras que publicam relatórios são tão nenenzinhos assim, ou tão se fazendo? Será que eles compram commodities destes governos, de olhos fechados com a mesma boa vontade? Conta outra.Muito dados governamentais, somos como aquelas placas de inauguração de coisa nenhuma, ou registro de empresa prestadora de serviço de campanha eleitoral, existem só para inglês ver, desde que ele não resolva nunca realmente visitar para ver.

Então já começa errada a leitura de o que problema dos governos é falta de vontade política. Vontade política eles tem o problema é que a vontade de enfiar o dinheiro no próprio bolso é maior. E os estudiosos sabem disso, mas não vão falar porque não querem se indispor com gente filha-da-puta que com um e-mail pode por fim na sua carreira acadêmica, então ficamos por assim nos eufemismos.

A linha da pobreza

Linha da pobreza é uma ideia quase tão boa quanto a renda básica. Mas nem tanto. Se você notou Gates, usou ela para medir o progresso. E se você fez os cálculos, viu que dá quase 100 reais por mês por pessoa. E aqui vem a mágica do economêtres. Eu sei e você sabe que 100 reais pode acabar com a fome em muitos lugares, em outros não, não dá nem para a metade do mês, e isso não estamos nem falando em pagando um teto para morar… e estamos falando de Brasil. Na Europa não se fala nunca ouvi ninguém falar de uma renda básica menor que 400 euros, em geral falam em torno de 1000 mil euros. Na Suíça a renda básica que foi proposta em referendo era nada mais nada menos que 7000 mil francos suíços. Talvez, você considere um exagero, pode até ser, não sei, mas assim como quem vive em São Paulo sabe que ao entrar numa quebrada onde come o empregado vai pagar pela mesma coxinha até a metade do preço, ou indo cada vez mais para a periferia cada vez menos- mas não exatamente a mesma coxinha. O custo de vida varia e muito dentro não só de países, para pais, de lugar para lugar, as vezes com a distancia que separa uma Paraisópolis de um Morumbi. E mesmo assim com o custo de vida de se morar em Paraisópolis sendo uma fortuna perto de uma Paranapiacaba onde eu morei. Logo é uma tentação estabelecer um número magico 2 dólares por dia para acabar com a pobreza, mas isso não funciona, porque pode até ser que você encontre lugares tão quebrados que até com menos cresçam, mas não vai nem tirá-los da pobreza com tão pouco capital, nem vai tirar a maioria dos lugares pobres do mundo só com isso. Evidentemente que lugares hiper-capitalizados onde o custo de vida é altíssimo, pode sim, reduzir absurdamente não só pobreza mas a distribuindo quantidades de recursos que são para seu padrão de vida ínfimos. Mas sejamos sinceros quem se importa com lugares que sequer sabe que onde fica ou que existe?

Linha de pobreza seria portanto é uma boa ideia, quando tratada no plural, ou mais precisamente com o máximo de pluralidade possível, o mais adaptada ao custo de vida da localidade. Porque na exata medida que você garantir qualquer forma de renda seja como salários, direito a rendas cidadãs, ou assistência sociais, não importa, se o montante dessas rendas for inferior ao custo real de vida as pessoas vão continuar pobres ou até passando fome, com seus 2 dólares/dia elas terão “saído” da pobreza. Logo uma pessoa pobre vivendo num lugar rico (leia-se com alto custo) tem a sua miséria desaparecida por essa metodologia do Banco Mundial. Da mesma forma que uma pessoa pobre mesmo que não recebe dois mais 200 dolores vivendo num lugar tão pobre, que seria como habitar um lugar devastado por um desastre natural, onde o dinheiro não vale nada, porque não existe infraestrutura, não existe literalmente mercado para usá-lo. E assim se Maqueia a realidade sem nem sequer precisar falsear os dados.

“O avanço da mobilidade social, fundada na geração de empregos formais e nas políticas públicas de proteção social torna a pobreza diminuta com cadente desigualdade na repartição da renda nacional jamais vista na História nacional”, afirma a cartilha do PT. O governo ainda diz que retirou 22 milhões de brasileiros da extrema pobreza e agora só restam 2 milhões.
Essa afirmação, porém, se apóia em uma manobra estatística na qual a categoria “pobreza extrema” inclui as famílias que recebem até R$ 70 por pessoa ao mês, e são “pobres” as que recebem de R$ 70 a R$ 140 por mês. Na verdade, esse é o critério do Banco Mundial: quem tem renda menor que US$ 1,25 por dia é miserável. Quem ganha até US$ 2,50 dólares por dia é pobre. Por isso, para o Banco Mundial, “o Bolsa Família é bastante eficiente e tem um custo relativamente baixo (0,5% do PIB nacional)”.
Esta linha demarcatória da pobreza é rebaixada de propósito para inflar as conquistas do governo petista. A própria burguesia incentiva esses dados porque fortalece sua dominação, reforçando a visão que o sistema capitalista pode distribuir renda de forma igualitária. -A pobreza está acabando no Brasil? , 18/07/2013

Aliás não só assim, outros indicadores podem vir a ser selecionados com o intuído de jogar num passe de magica econométrico transmutar pobres em classes médias sem mudar absolutamente nada da suas realidade sequer econômica que dirá as outras dimensões materiais da pobreza….

A Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República lançou hoje uma pesquisa em que afirma que 53% da população do Brasil é integrante da chamada classe média. Isso representa uma inserção de 35 milhões de pessoas à faixa nos últimos dez anos

O governo comemorou, mas os festejos esbarram no próprio conceito de classe média. Afinal, quanto se precisa ganhar para fazer parte do grupo?

A pesquisa usa apenas o critério de renda, definido pelo governo no começo do ano: classe média é quem vive em famílias com renda per capita de R$ 291 a R$ 1.019.

Dentro dessa faixa, a classe média “baixa” tem renda de R$ 291 a R$ 441 por cada membro da família, a média de R$ 441 a R$ 641 e a classe média alta teria renda superior a R$ 641 e inferior a R$ 1.019. Outro critério é a “vulnerabilidade econômica”, ou seja, a probabilidade de retorno à condição de pobreza.

Só que não há consenso sobre o conceito e, dependendo de onde se olha, o tamanho da classe média pode variar bastante no país.

As pesquisas do professor José Afonso Mazzon, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, apontam 40 milhões de domicílios de classe média no Brasil. Embora não seja possível comparar com os dados do governo, os parâmetros utilizados são bem mais abrangentes.

“Nossa pesquisa se baseia em cerca de 38 critérios diferentes, que vão desde o tipo de residência da pessoa, acesso à água, esgoto, grau de instrução, tipo de trabalho a quantos contribuem para a renda da casa. Nosso critério de renda também é diferente. O governo usa renda corrente (salário) declarada e as pessoas mentem. Nós usamos renda permanente, que envolve bens, patrimônio e investimentos”, explica.

Por isso, Mazzon critica o conceito oficial, que considera vantajoso para os governantes. “Esse critério é baseado só em renda e corrigido apenas pelo INPC, enquanto que o salário é corrigido pelo INPC e um índice de produtividade que cada sindicato negocia. Isso significa que é uma questão puramente matemática: a renda vai subir e superar esse corte arbitrário que fizeram. Em poucos anos, não vai mais ter pobres no Brasil, segundo esse critério”, defende. — Quem é classe média no Brasil?, 20 set 2012

E agora até o Piketty descobriu que malandro é o barba que já nasceu de bigode…

De acordo com o estudo, conduzido pelo World Wealth and Income Database, instituto codirigido por Piketty, a fatia da renda nacional dessa parcela da população (10% mais ricos) passou de 54,3% para 55,3% de 2001 a 2015.

No mesmo período, a participação da renda dos 50% mais pobres também subiu 1 ponto percentual, passando de 11,3% para 12,3%. A renda nacional total cresceu 18,3% no período analisado, mas 60,7% desses ganhos foram apropriados pelos 10% mais ricos, contra 17,6% das camadas menos favorecidas.

A expansão foi feita à custa da faixa intermediária de 40% da população, cuja participação na renda nacional caiu de 34,4% para 32,4% de 2001 a 2015. De acordo com o estudo, a queda se deve ao fato de que essa camada da população não se beneficiou diretamente das políticas sociais e trabalhistas dos últimos anos nem pôde tirar proveito dos ganhos de capital (como lucros, dividendos, renda de imóveis e aplicações financeiras), restritos aos mais ricos.

“Ao capturar pouco ou nenhuma parte da distribuição da renda de capital e ao não capturar muitos dos frutos da política social diretamente, a faixa intermediária ‘espremida’ poderia ser um produto das elites que a quer botar em competição com a faixa inferior [de renda]”, destacou o estudo, assinado pelo economista Marc Morgan.

Além disso, o crescimento da renda da população mais pobre no Brasil nos últimos 15 anos foi insuficiente para reduzir a desigualdade, apesar da melhora das classes mais pobres.

O estudo classificou a manutenção da desigualdade no Brasil como “chocante”, principalmente se comparada com outros países desenvolvidos. “É digno de nota que a renda média dos 90% mais pobres no Brasil é comparável à dos 20% mais pobres na França, o que apenas expressa a extensão da distorção na renda no Brasil e a falta de uma vasta classe média”, ressalta o levantamento. Em contrapartida, o 1% mais rico no Brasil ganha mais que o 1% mais rico no país europeu: US$ 541 mil aqui, contra US$ 450 mil a US$ 500 mil na França.

Metodologia

O levantamento exclui transferências de renda. Considerando o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada, a participação dos mais pobres teria encerrado 2015 em 14%, mas a evolução da renda dos 10% mais ricos permaneceria inalterada. No entanto, o salário mínimo, as aposentadorias e pensões e o seguro-desemprego estão incluídos no cálculo. — Estudo econômico de Thomas Piketty pode explicar o ódio de setores da classe média ao PT(???)

Tradução: O fim da miséria e da desigualdade social propagandeado na era Lula-Dilma era gato (como por sinal, entre outros avisamos)…

Resultado da pesquisa no mar de fanáticos brasileiros:

Piketty que antes era atacado pela direita agora é exaltado…

Thomas Piketty voltou às manchetes brasileiras depois que recente trabalho seu revelou a falácia do mito da queda da desigualdade no Brasil. Hoje, aqueles que atacaram o autor e sua obra por considerá-los demasiado “esquerdistas” o exaltam por desvelar mitologias do lulopetismo. No Brasil, persiste a ideia no debate econômico de que linhas de pensamento correm em paralelo e não podem jamais se cruzar. Mas eis que Piketty apresentou fatos e dados que condizem com o que muitos imaginavam e que, além disso, servem para alimentar a retórica política de um grupo de sociedade.- Liberdade, liberdade

Já para esquerda, Piketty que antes era um deus, agora é um “cascateiro”, Marona explica:

Com todo respeito ao Piketty, autor de um livro importante sobre desigualdade de renda no mundo, a pesquisa divulgada pelo instituto dele e chamada na primeira página da Folha é uma cascata ou, no mínimo, comete um erro primário absurdo de apuração, que o jornal tinha o dever de perceber.(…) Quem manipula a pesquisa é a Folha, que tinha o dever de informar que os dados se referem tão-somente à desigualdade da riqueza, não da renda.
Mas a intenção óbvia é depreciar a ascensão dos brasileiros a uma renda melhor, a bens de consumo e a riquezas como casa própria (Minha Casa Minha Vida). Isto não aparece no imposto de renda porque os beneficiários destes políticas não fazem declaração. — 247:Marona explica…

O site 247 (da notícia acima) é uma comédia… recorre a retórica do “argumento de autoridade” e dane-se que não tem ninguém com alguma disponível, tem o Marona, então o Marona explica… e quem é Marona? não sei, mas foda-se, ele explica…

E o mito do progresso? Onde entra nessa história?

O mito do progresso não se apresenta como uma falácia em dois aspectos distintos:

o primeiro corresponde a generalização do dado. Generalização está que seria absolutamente interessante se por um acaso o progresso fosse homogêneo e não desigual, não só podendo estar em diferentes estágios de aceleração de modo que setores, classes, nações, e pessoas estejam constantemente se afastando cada vez mais em termos de desenvolvimento em todos os sentidos, do humano, civilizatório ao econômico, como eventualmente em determinadas regiões ou para determinadas minorias pode estar flagrante retrocesso eventual ou até mesmo constante, o que significa em algum momento seu extermínio.

No mundo, há aproximadamente 870 milhões de pessoas que sofrem de subnutrição, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A média de subnutridos representa 12,5% da população mundial. Mas os percentuais aumentam para 23,2% nos países em desenvolvimento e caem para 14,9% nas nações desenvolvidas. [grifo meu]- ONU: quase 870 milhões de pessoas passam fome no mundo, isto em 2012 antes da crise humanitária

Ou seja na contabilidade do morreu 3 pobre nasceu 4 rico, lucro uma pessoa. Esconde não só a desigualdade do progresso ou desenvolvimento, mas como toda a média esconde os números individuais. A média é uma ficção que mascara as perdas reais e que não se aplica a seres humanos. Tive três filhos, morreram dois. Sobrou um. Estou no lucro, coloca no banco. A lógica do saber humano e portanto das ciências que se pretendam humanas não pode trabalhar com um algorítimo muito diferente da do pastor da ovelha perdida de parábola de Cristo:

O Reino é semelhante a um pastor que tinha cem ovelhas. Uma delas se extraviou, e era a maior de todas. Ele deixou as noventa e nove e foi em busca daquela única até achá-la. E, depois de achá-la, lhe disse: eu te amo mais do que as noventa e nove.

Você também pode fazer a conta do ponta de vista da ovelha perdida. Salvaram-se 99, eu me fodi, que bom para o rebanho delas as 99. E vice-versa. Se o estudo for efetuado pela ovelha que ficou para trás, a visão do progresso será outra.

o segundo vou chamar de paradoxo de Hawkings.

O mito também tem relação com o primeiro, mas está muito mais espaço temporamente determinado. Não é tanto uma questão da matemática que se emprega para efetuar as generalizações, mas muito mas na própria preconcepção de todo processo colonizatório e civilizatório em si implica em progresso ganhos para todas as partes missionários colonizadores e nativos colonizados. Obvio que não é uma ideia original dele, mas a originalidade está em projetá-la para uma preocupação que aflige mais o imaginário daqueles que se reconhecem mais no progresso ou ficção científica do que na pobreza mundana. Assim ao projetar para uma realidade futura onde todos são obrigados a lidar racional e pragmaticamente com um possibilidades, esse paradoxo não só consegue fugir dos controvérsias que negaciosismo e revisionismo que os preconceitos continuamente produzem na história, mas obriga aquele que pensa sobre ele a lidar com sem decair e, racionalizações e mitificações para justificar atitudes tomadas, mas observando a questão do ponto de vista pragmático e estratégico outro lado do progresso que não faz parte da história dos progressos civilizatórios: o lado dos nativos.

Um dia receberemos um sinal de um planeta como este, mas devemos ter cuidado ao respondê-lo. Encontrar uma civilização avançada pode ser como o encontro entre Colombo e os índios. Nós sabemos que isso não acabou muito bem.”Para os índios porque para os colonizadores representou um progresso impar tanto no Novo quanto no Velho Mundo. -S. Hawkings

De tal modo que uma vez extintas várias raças humanas nativas da terra ou todas. E havendo um dia 70 bilhões de “novos” ocupantes do território terrestre certamente seu progresso seria infinitamente superior, até porque mortos não progredem. Mas eis a questão dos antigos donos da Terra e dái, cara-pálida?

Conclusões

Linhas de pobreza são generalizações absolutamente artificiais que atendem muito mais interesses e propaganda politico ideológicos de regimes governamentais e econômicos e do que ajudam a agentes públicos ou não-governamentais a estabelecerem programas e projetos públicos de combate de combate a pobreza, geração de riqueza e redistribuição de renda.

A imparcialidade dos Estudos Sócio-Econômicos é um mito não apenas desconsidera os interesses particulares dos estudiosos, seus valores, visões de mundo, mas interferem na leitura e interpretação dos dados, mas por vezes na própria coleta de acordo com os critérios e indicadores e que constituem os “dados” enquanto reflexo das próprios preconcepções e perceptivas dos estudiosos tanto quanto observadores que se colocam artificialmente fora do sistema, quanto ao mesmo tempo pretendem conhecem como se fosse um saber empírico uma realidade meramente coletada e observada e não propriamente experimentada em todas as dimensões que produzem as impressões necessárias para o conhecer de modo a ter capacitação para dar significância plena aos signos que representam o real seja qualitativa seja quantitativamente. Ou como se diz por aqui chupa que a cana é doce. Ou não? vai saber? Certeza mesmo só chupando…

E por fim o mito do progresso que não só ignora que a desigualdade das progressões, quanto os conflitos não só de “visões” de progresso, mas da sua marcha. Mas sobretudo ignoram que não existe progresso que não seja feito pelas suas próprias pernas ou se preferir por suas próprias descobertas ainda que elas sejam necessariamente idênticas porque necessárias.

Bill Gates revela a primeira coisa que faria se fosse pobre

Por meio do meu trabalho com a fundação, conheci muitas pessoas em países pobres que criam galinhas, e aprendi muito sobre as dificuldades de criar essas aves. Ficou bem claro para mim que praticamente qualquer pessoa vivendo em condições de extrema pobreza teria uma vida melhor se tivesse galinhas”, escreveu Gates.

Em seu blog, ele listou razões. Galinhas são baratas, é fácil tomar conta delas, são um bom investimento, comer galinhas (e ovos) faz bem à saúde, e elas podem gerar renda que vai empoderar mulheres que assumem um papel empreendedor em suas comunidades. — O bilionário tem uma solução para diminuir a pobreza no mundo

Ok. Criar galinhas. De fato a uma das primeiras coisas que Irene fez quando começou a receber sua renda básica foi começar a criar galinhas. Mas ela não assistiu o video do Bill vestido de galinha, nem leu a revista Exame, ela já sabia como o pessoal na Africa o que Bill descobriu com eles: meu negócio é criar galinhas. Irena já sabia o que Bill descobriu. Mas então porque Irene demorou tanto tempo para começar a criar suas galinhas? Ora quem vem primeiro o ovo ou a galinha, Bill? É o ovo? o ovo em pé, Bill, porque se Irene passou metade da vida esperando para poder comprar umas galinhas é porque ela não tinha nem os malditos trocados para poder começar a solução para acabar com a pobreza do mundo que você descobriu e que ela já sabia, mas não tinha dinheiro para se livrar sozinha. Pois é, Bill. Fico pensando, o que negócio Irene não teria sido capaz de construir com a visão dela e o seu capital? E por outro lado que negócio você teria construído com toda a sua visão mas só com o capital dela…?

Só fico me perguntando uma coisa: quanto ele gastou para descobrir o que ele e nem ninguém com grana vai usar para porra nenhuma, divulgar o que pobre já sabe, e se não sabe descobre por necessidade, quantas galinhas dava para comprar? Ou melhor quantas rendas básicas dava para pagar. Porque não se desespere, se não tiver galinhas mas tiver dinheiro você cria, vende ou compra o que quiser… até galinhas.

Quanta maldade, a minha. o cara tá só querendo ajudar e eu aqui sendo sarcástico; Mas alegria de pobre é só isso mesmo… é tirar é sarro, senão dos outros, dele mesmo.

Moral da história

Fica aí então a dica, caso um dia você fique miserável. Agora você já sabe o que Bill Gates faria, se não fosse Bill Gates: o negócio não é mais plantar batatas, é criar galinhas. E não seja egoísta, faça como Bill não vá me pedir patente desse conhecimento: o próximo cara que te parar no sinal pedindo uns trocados, divida o conhecimento e pergunte para ele: — você já pensou em criar galinhas?

Mas se não quiser perguntar nem fazer nada nem esquenta, porque agora vai, é certeza… “segundo estudos” a pobreza acaba em 2030. Vou correndo contar as boas novas para aquele mendigo que mora perto de casa…

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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