2015 o ano do Canibalismo Político

Ou Dilma 2016: “Quem foi que desenhou caralhinhos voadores no banheiro do meu governo”

Parte I Abram alas para as novas gerações

Sei que muita gente está triste com tudo o que aconteceu e está para acontecer no Brasil. Se não está, deveria. Especialmente quem não sabia de nada, preferiu não saber, ou pior ainda: sabia, mas não teve coragem para falar nada contra. Estes, não só tem o direito de estar tristes, tem o dever de estar decepcionados- consigo mesmos. Não que quem tenha denunciado e até sido perseguido por dizer a verdade tenha alguma razão para estar feliz (fora, é claro, ver seus perseguidores devidamente expostos), mas no resto, como achar alguma satisfação com que está acontecendo?

Sei que estamos passando por um processo de amadurecimento único na nossa história; processo absolutamente necessário se um dia quisermos ser de fato um pais livre e não mais uma grande senzala política e econômica. Sei que mais importante ainda do que o enfrentamento dos corruptos de agora (e sempre) que se achavam impunes, é estarmos literalmente deixando de ser uma grande massa de ignorantes políticos. Certo. Não nego que podemos ainda ser, como povo, covardes e submissos, mas ver muita gente acordando e parando de idolatrar seus violadores já é um grande passo a emancipação.

De fato, ver quem fazia questão de enganar (ou ser enganado) ter de olhar para além da mentira da propaganda e ideologia, ou senão se expor ao ridículo do fundamentalismo e fanatismo é um evento que pode também trazer bons frutos aos despertos. Sei do que falo. Muito do que proponho, ainda seria considerado loucura ou sonho como há alguns anos se não tivéssemos passado por esse choque de realidade. Triste, mas realidade. Portanto, ver algumas pessoas acordando e tomando coragem para sair da barra da sai dos todo poderosos; ver um povo começar a entender a verdadeira natureza da nossa realidade política, econômica e até mesmo judicial, isto é uma conquista não só de quem faz parte de uma nova geração, mas luta para que ela possa ter seu próprio tempo e espaços livres. E até seria motivo de orgulho para quem há muito tempo prega e luta por isto, se o preço de toda a revelação e transformações do Brasil não estivesse ficando cada vez mais caro para quem não tem nem como pagar.

E o pior é que esses ratos no poder são tão sem caráter que tem o desplante de afirmar que não são seus atos que destroem o pais, mas quem ousa expô-los e lutar contra eles! Seria como se o papa ainda viesse a público para dizer que não são os padres pedófilos que destroem a igreja, mas os que não se calam diante das violações. Já disse antes e repito: esses políticos são verdadeiros terroristas, na sua forma mais oficial, porque se amarram a tudo que é necessário a sobrevivência das pessoas, e ameaçam destruir tudo, se elas tentarem os tirar de lá.

Só mesmo essa gente desnaturada, os canalhas do governo e oposição (e claro os imbecis ou vendidos que apoiam este ou aquele lado contra o povo) conseguem comemorar suas ridículas vitórias, hora de um lado hora de outro, mas sempre a custa de muita destruição para a sociedade. Não. Minto. Na verdade há mais uma classe comemorando a queda do país. A classe dos senhores destes capatazes e jagunços do status quo: gente que ganha sempre ou pelo menos vai continuar enquanto estivermos sob a guarda desses animais políticos. Gente paga para manter tudo o há de pior no poder, e não só ganha sustentando esse jogo de cartas marcadas da democracia representativa, mas ganha até mesmo quando o circo pega fogo. Sim, não é só bancando guerras militares que se compra barato um país, mas bancado a divisão e queda da sua sociedade civil e roubando sua riqueza comprando políticos que fazem qualquer coisa.

Seria, portanto, um alívio ver esses animais se devorando até a extinção. Mas, isso não vai acontecer. Nossos políticos vão primeiro acabar com o país, vendendo a preço de banana tudo que é nosso só para se manter no poder- e muito gente inocente ainda vai morrer antes deles caírem. E não se iluda. Se os poderosos que os mantem lá precisarem mesmo se livrar deles, não exitarão em bancar gente ainda pior- lideres mais criminosos, reacionários e autoritários (tanto a esquerda quanto a direita)- para ocupar seu lugar. Sim, eles farão de tudo que precisarem para manter seus privilégios e autoridade, ou o que é a mesma coisa, o povo longe de qualquer consciência dos seus direitos iguais a liberdade.

Não podemos mais ser tão ingênuos. Todas essas corporações nacionais e internacionais que ganham com as crises (e claro, seus donos) não compram políticos corruptos: eles pagam para manter seus esquemas de privilégios estatais se possível como legais. E se para isso, precisam fabricar os inimigos; deixar que eles ataquem; ou até mesmo permitir que eles tomem o poder, que seja. Desde que não ameassem seu poder e cumpram seu papel, isto é, mantenham o povo com medo ou só a espera de um milagre qualquer político serve, até mesmo os piores canalhas e genocidas. Na verdade, quanto pior, melhor. Afinal princípios só atrapalham quem só pensa em meios e fins.Acordem. Se quem detém os poder precisar jogar toda uma população uns contra os outros, ou jogar uma nação inteira, uma contra outra, para mantê-los eles o farão.

Para impedir o avanço da liberdade básica como direito de todos e o surgimento da verdadeira democracia, vale-tudo. E isso que vale para o Brasil, vale para qualquer país do mundo, especialmente os periféricos.

Por isso, se nosso governo tem razão em alguma coisa é nesta: não foram eles que fizeram nada do que está acontecendo acontecer. Definitivamente, Se depender deles, eles não só jamais pararão de mamar nas tetas da vaca gorda estatal, como depois de matá-la continuarão a devorar suas carnes pobres, como os vermes que são. Eles não vão mudar, não por livre e espontânea vontade politica. Sim eles estão certos nisto: não é a sua corrupção, sua incompetência, sua responsabilidade, sua falta de caráter, de princípios, seus crimes ou paixão por riqueza e poder que estão causando tudo isso; somos nós. Somos nós, que não os suportamos; nós que os mandamos para o inferno (de onde nunca deveriam ter saído) que estamos mudando as coisas. É obvio que não somos maioria, mas as revoluções não são feita por massas, e sim por aqueles que rejeitar ser tratados como massa de manobra, rompendo com as opiniões públicas fabricadas e constituindo os novos consensos em torno dos fatos que tanto se tenta esconder ou apagar.

Por isso quem luta há tempos para enfrentar esse sistema, definitivamente não tem o que comemorar, tem sim o dever de tomar a frente e usar essa oportunidade de transformar o país criada também por seu para melhorar de fato a vida no Brasil. Quem luta há tempos não pode agora ficar esperando que os mais jovens ou os trabalhadores tomem a linha de frente e façam a revolução por todos. Até mesmo com sua própria história de vida Quem sempre defendeu o novo tem o dever de propor transformação institucionais e culturais que façam a diferença. Quem ajudou a abrir o espaço para uma nova geração não pode deixá-la principalmente agora sozinha. Cada um deve assumir a responsabilidade social condizente com sua capacidade, e participar da construção dos novos caminhos, as soluções institucionais para um pais verdadeira livre e democrático. Temos o dever de começar a por em prática já um programa de transição da democracia representativa para a verdadeira democracia direta. Ou pagaremos ainda mais caro por nadar não contra a corrente das revoluções históricas, mas contra a evolução necessária a humanidade.

Parte II Burguesia a lá francesa

Deixe-me explicar porque acredito que temos condições históricas únicas para finalmente promover a independência e instaurar uma verdadeira republica e democracia direta no Brasil. Ou em outras palavras, para deixarmos de sermos uma população estupida e infantilizada, para nós tornarmos enfim uma nação de cidadão adultos capazes de reger sua própria vida e destino, senão com perfeição, ao menos com mais honestidade e vontade interessada do que esses atravessadores que nos governam.

Assim, se por um lado temos uma classe política cada vez mais enfraquecida por suas lutas internas, seu enfraquecimento não advém propriamente das suas divisões partidárias e disputas pelo poder, mas sim pela revelação pública (e cada vez mais notória) do quanto enquanto classe, esses políticos estão na verdade profunda e subterraneamente unidos para se salvar e preservar seus interesses não só contra a sociedade como um todo, mas contra cada classe social que seus respectivos partidos supostamente deveriam representar.

Temos uma classe política que levou seus conflitos não só até as piores consequências para o pais, mas também para seus próprios baixos interesses: expuseram o quão superficial são seus conflitos e alianças e quão grande é sua cumplicidade para sustentar seus cargos no poder. Hoje, sabemos que são capazes de tudo para tomar ou manter o poder, exceto devolver os direitos políticos ao povo. Muitos políticos atualmente costumam evocar a memória de ditadores e caudilhos como Getúlio Vargas, mas não tem nem sequer seu instinto de preservação politica: não capazes de ceder poder para preservá-lo. São só políticos, não estadistas.

É por isso que não importa o quão ruim ou criminosa a oposição acuse o governo; ou quão legitimado pelo povo ou perseguido por seus opositores um governo se julgue: nenhum político, governista nem oposicionista, jamais ousará clamar por um plebiscito que relegitime seu mandado; jamais devolverá nenhum poder de decisão ao povo. Não fará nada que possa reduzir seu poder ou condicionar a continuidade dos seus mandatos, nem mesmo sob o evidente risco da queda de um regime. Podem não ser todos Marias Antonietas, mas são definitivamente, cada um deles, um rei Sol. Então se o Rei morrer, longa vida ao povo.

A atual historia em construção do país ensina agora o que deveria ser ridiculamente obvio: o poder politico e econômico da população jamais será devolvido a ela por quem o exerce em seu lugar.

A população jamais terá de volta sequer o direito de decidir por voto de direto se quer ou não substituir quem a comanda; nem jamais poderá reivindicar que tal decisão seja obrigatoriamente e imediatamente tomada, ao menos não enquanto depender da vontade dos políticos para tanto. Não. Não terá jamais direitos políticos e cidadãos plenos enquanto a última palavra sobre o bem comum e portanto o poder de fato estiverem alienados. Enquanto a democracia for refém dos seus representantes; estiver detida por aqueles que terão os seus poderes diminuídos e mandatos passiveis de serem tomados, não haverá jamais um verdadeiro estado de direito, mas sim o velho estado de legalização da desigualdade de autoridades sobre o bem comum. Um estado autoritário contra a república.

Não, senhores. Utopia não é sonhar com a democracia direta nem com o fim de todas as formas de escravatura. Utopia é pedir aos senhores e traficantes de escravos que façam a abolição. Utópico e ridículo é ficar implorando aos donos da vontade política o que só pode ser feito pela verdadeira vontade popular: justiça.

A democracia direta como todo direito não se dá, se conquista. Se constitui pelo própria afirmação da liberdade e vontade comum da sociedade. O que os poder e instituições inclusive as judiciais podem fazer quanto a isso é: ou com justiça reconhecer sua legitimidade natural; ou criminosamente atacarem a fonte da sua soberania: o povo. Nem governo, nem mesmo a carta magna se autolegitima por si própria, o que os permanentemente legitimam é sua correspondência como as necessidades e vontades do povo não como fantasia coletiva ou retórica, mas como manifestantes de seus direitos e necessidades naturais e inalienáveis.

Senão todos, os maiores problemas políticos do país poderiam ser solucionados restituindo constitucionalmente do povo de decidir diretamente, quando não economicamente, através do voto os destinos de sua vida. Porém, se para começar tivéssemos ao menos o poder de quando necessário decidir se queremos ou não remover os políticos isso já resolveria ao menos os problemas políticos mais urgentes de legitimação de governos que a perderam. Isto pode ser feito não fazendo do impeachments um plebiscito, mas, sobretudo instituindo o recall, especialmente dos cargos majoritários. Decisões que constitucionalmente jamais deveriam poder estar nas mãos de outros políticos.

Não podemos depender da autorização dos políticos para exercer nossa vontade soberana sobretudo no que se refere a seus mandatos. Essa armadilha reduz descaradamente a cidadania a servidão, e um povo a plebe.

O utópico da cidadania plena ou democracia direta não está, portanto, no que ela propõe que não é só lógico evidente, mas o justo e necessário. Mas sim na nossa cultura bipolar de subverniência e transgressão das leis sem nos importar se ela é legítima ou ilegítima. Quantos crimes precisarão ser cometidos pelos Estados e a União até finalmente nos levantarmos contra cada lei ou decreto absurdo ou criminoso?

No Brasil não temos a cultura de obediência a lei ou governo por um simples motivo: porque eles nunca pertenceram ao povo. Não é que não lutamos pela lei ou pela república, não lutamos por leis e governos que nunca foram nossos. Até porque quem luta, não luta por leis ou governos, mas por direito e justiça. Quem luta por justiça não clama por obediência cega, mas também não prega só a desobediência das leis e governos criminosos, mas propõe a instituição de novos conjuntos de leis e formas de governos democráticas capazes de colocar em pratica de fato a justiça e a liberdade.

Sonho, portanto, não é buscar a liberdade, mas pedir aos pastores e senhores de escravos que nos libertem de seus ministérios da fazenda. Não nego que isto ainda venha funcionando e as pessoas continuam a preferir se ajoelhar e implorar a quem não tem compaixão, do que desenvolver a solidariedade entre os comuns. Mas por mais canina que seja a obediência de um povo, nunca é fácil manter tamanho nível de subverniência, comodismo e alienação de toda uma sociedade. Especialmente quando as crises politicas e econômicas se tornam tão grandes. Para tanto é preciso apelar ainda mais a propaganda e aos discursos de ódio; ao acirramento do fundamentalismo ideológico entre esquerda e direita na tentativa de ampliar a tão necessárias divisão entre as classes sociais para a dominação de toda sociedade.

É inegável que a idiotice útil e o ódio aumentam a divisão da sociedade em classes reduzindo ainda mais qualquer chance de formação de uma sociedade civil forte contra a farsa da oposição entre governos e mercados. Mas é uma estratégia no mínimo arriscada.

Primeiro por que há a possibilidade menos provável de que a divisão entre classes sociais alienadas possa chegar a um nível de conflito que cause uma ruptura definitiva e violenta do atual tecido social, produzindo uma situação análoga a guerra civil — não apenas nas estatísticas de violência porque isto já temos, mas na politização destes atos violência para muito além dos PPCs.

Segundo e mais provável porque esses discursos podem levar ao rompimento com as ideologias de classe social e promover a união entre as partes não fanáticas e militantes (a maioria da população) que não deseja entrar nesse conflito falso forçado e estúpido. Gera portanto dialeticamente o efeito oposto pretendido pelos seus planejadores políticos, aliás consequência tão comum que já deveria se considerado uma regra histórica: gera a rara união entre classes sociais historicamente oposta promovendo uma das condições mais revolucionárias do que as próprias recessões ou miséria econômica, promovendo a marginalização da sociedade civil como um todo.

Não duvide. Tem gente apostando no caos, não só para ganhar dinheiro, mas para reconduzir o pais ao passado reacionário e autoritário e segurar seus privilégios em risco. Mas esse jogo de intrigas pode sair pela culatra. É um erro raro, mas digno de aristocracias jogar as burguesias na condição popular. Porque nesta condição forçada mesmo quando eles querer são revolucionários.

Tem gente que acha que a revolução acontece quando se manda o povo comer brioche. Não. Acontece quando quem se manda quem acostumou a comer brioche, comer pão velho e duro que o diabo amassou. Como disse esse é um momento único: o governo ser odiado pelo povo não é raro, raro é o contrário, mas ser odiado pela burguesia junto com o povão este é prenuncio de queda não de governos, mas de regimes. Não é preciso nem nascer qualquer solidariedade entre classes opostas, basta que o inimigo comum continue a os unir marginalizando igualmente. Este é o verdadeiro mérito involuntário do ápice do petismo, o dilmismo: ele promove a sua igualdade enviesada, a igualdade de liberdade para todos, mas a igualdade de todos estarem obrigados a se submeter a tutela da sua mesma autoridade. Veja que como todo poder totalitário o dilmismo se volta contra si próprio, perseguindo e o ameaçando de expurgo como o próprio partido no passado fez com todos seus dissidentes internos todos que não comunguem da sua ideologia.

O poder está se destruindo para se impor como total. Resta saber o quão iluminada ou estupida é nossa classe média para abraçar o povo e as opniões divergentes quanto ao social. Quando a aristocracia de esquerda está malcomunada como a velha plutocracia de direita a adular a nossa Maria Antonieta, somente uma aliança com a plebe poderá ajudar os que se julgam cultos a retomar o poder. Talvez nem mesmo o ódio a figura arquetípica que nossa presidenta conseguiu encarnar consiga superar o desprezo que os burgueses tem pela plebe ou pelas esquerdas libertárias, mas aí é que eles merecem mesmo o governo tirano que tanto gostam de reclamar.

De fato, hoje temos não só uma população pobre e carente que se sente traída por seus representantes, mas também uma burguesia que se sente igualmente traída não apenas por seus políticos, mas até por suas instituições mais caras como a justiça. E se para o povão ser marginalizado não é nenhuma novidade, para a burguesia atual costumada a privilégios como se fossem direitos, ver-se injustiçada e sentir-se perseguida é algo no mínimo completamente novo e sabidamente explosivo especialmente se a burguesia tanto de direita como a de esquerda souberem superar seu desprezo assumido ou disfarçado pela liberdade da plebe e passar a defender solidariamente a liberdade e igualdade mais uma vez como um principio universal.

Isso pode parecer impossível, mas não se esqueça que foi principalmente da solidariedade da burguesia de esquerda com afinidade ao socialismo que nasceu tanto o mal do atual projeto de poder das sociais-democracias quanto suas conquistas sociais que eles mesmos estão destruindo na sua luta por poder. O que quero dizer com isso?

Que se os libertários não importa se de esquerda ou direita, não forem capazes de identificarem com as causas da população, não serão eles a ocupar o vácuo deixado pelos velhos traidores, mas sim os piores tipos de moralistas e conservadores de todas as matizes politicas, econômicas e religiosas. Ou os libertários se unem e principalmente se unem a causa popular das novas gerações ou não serão mais um entre tantas minorias a serem perseguidos pelas próximas autoridades no poder.

O que eu estou propondo, afinal? Uma aliança entre classes sociais, entre a direita e a esquerda contra a classe politica? Sim estou propondo para quem não é fanático por suas ideias que sem renunciar ao seu pensamento, que se uma não contra os políticos, mas em favor de uma nova e verdadeira representação da sociedade via democracia direta.

E não só estou propondo isto por necessidade, como estou afirmando que estão dadas as condições para a formação de uma verdadeira sociedade civil e uma constituição cidadã que não nos obrigue mais a fugir de quem nos domina, mas a assumir enfim nossa responsabilidade social. Até porque, no final das contas se a crise continuar quem não quiser se aliar aos mais pobres hoje por inteligência solidaria terá que se juntar amanhã por solidariedade de classe mesmo. E quando digo se isso não falo da velha caridade conservadora. É preciso mais. Será preciso fazer mais do que as igrejas e partidos políticos já fazem. Será preciso vender mais do que esperança dinheiro ou educação atreladas a contrapartidas politicas econômicas ou religiosas se quiserem derrubar essas ideologias. Será precisar tudo que é necessário mas não como cabrestro ou armadilha doutrinaria e sim como liberdade de fato como condição necessária para se livrar destes exploradores, será preciso sim dar a atenção das igrejas o dinheiro dos partidos mas sem roubar a cidadania, será preciso finalmente garantir o que nunca deveria ter sido roubado: o mínimo vital. Ou amargar gente vulnerável a cooptação aos piores trabalhos e serviços pelos piores canalhas e doutrinas em troca da subsistência.

Ou seja, por mais incrível que parece se a burguesia quiser derrubar os tiranos e oligarcas que as tributa criminosamente no poder terá que se aliar ao povo. E isso significa ceder e apoiar liberdades positivas, revolucionários como o era o velho liberalismo em seu tempo e não mais como agora que foi pasteurizado por leituras e mais releituras. Precisam beber na fonte de libertadores liberais como Thomas Paine:

“Grande parte da ordem que reina na humanidade não é efeito do governo. Tem sua origem nos princípios da sociedade e na constituição natural do homem. (…) A dependência mútua e o interesse recíproco da cada homem com respeito aos outros e que todas as partes de uma comunidade civilizada tem umas em relações às outras criam um grande encadeamento que a mantém unida. (…) É dos grandes e fundamentais princípios da sociedade e da civilização — do uso comum consentido universalmente e mútua e reciprocamente preservado, do incessante fluxo do interesse que passando através de um milhão de canais, fortalece a massa total de homens civilizados — é de todas estas coisas, infinitamente mais que de qualquer coisa que possa fazer mesmo o melhor dos governos instituídos, que dependem a segurança e prosperidade do indivíduo e do todo. (…) Com relação a todas estas questões, o homem é uma criatura mais consistente do que ele mesmo sabe ou do que os governos desejariam que ele acreditasse.”

Thomas Paine, Os Direitos Do Homem, 1792.

Parte III O Dilmismo e a vida como ela é

De todas as decepções que ensejam revelações quero me concentrar primeiro naquela que julgo a mais importa a decepção natalina da burguesia alguns com a Justiça, ou o que eles acreditam representar a justiça de peruca e toga, o STF. Pois é, neste Natal muita gente pela primeira vez entendeu que nem todo mundo é filho de Papai Noel.

Deste ponto de vista, o amadurecimento de uma classe que se se vê mais como descendentes de europeus presos com nosso povo do que como parte de uma nação é um evento também digno de nota. Nenhuma loucura do congresso ou presidência foi para eles, mais reveladora e politicamente didática do que a exposição das entranhas superiores do poder judiciário.

Contudo permita-me explicar aos burgueses decepcionados uma coisa que quem é pobre praticamente nasce sabendo: Estado e a Justiça não servem a sociedade, servem aos donos do poder; ou o que é a exatamente a mesma coisa: estão sempre contra quem está a margem da do seu protecionismo.

Pois é. Quem diria, não é mesmo?

A burguesia marginalizada junto com o povão. Mas não se acanhem não. Casa de pobre, é simples mas é limpinha, puxa uma cadeira e senta no chão. Bem vindo ao mundo das pessoas comuns, entre e fique a vontade na verdadeira casa do povo.

Mas cadê essa casa?

Exatamente. Bem vindo a lugar nenhum, bem vindo a eterna utopia de um espaço público que nunca existiu. Bem vindo ao sonho de quem nunca é ouvido, considerado, nem tem sua opinião, participação politica ou econômica garantida. Bem vindo ao mundo dos que nem sabem que sonham com o céu dos verdadeiros republicanos: a verdadeira democracia direta. Um lugar da igualdade de autoridade sobre o bem comum, e da liberdade básica garantida para cada um. Ao despertos da matrix distópica dos governos totalitários, ao desperto do mundo dos distopistas. Bem vindo! Você chega em um momento muito especial, não é festa, nem carnaval, mas é tempo de liberdade. E ela não chega a toda ou qualquer hora.

Quem anseia por mudanças de fato no Brasil e não só a queda ou ascenção de partidos ou quadrilhas, sabe que ver esses políticos e seus partidos se autodestruindo, esses animais politicos se devorando para manter seus títulos faixas, togas, cadeiras, privilégios, prerrogativas, subsídios, vê-los se matando por poder poderia até ser um bom princípio, se não fosse insuficiente. Sei que muitos libertários sentem até vontade de comemorar essa antropofagia de quem se merece. Mas é praticamente criminoso e de certo estupido comemorar a desgraça que eles nos causam enquanto não largam do poder.

Não. Não há o que comemorar. Nem porque parar. Até porque os idiotas úteis de sempre, continuarão a prestar seus desserviços. Eles não conhecem a vergonha. Pregarão a manutenção não só deste governo, mas de todo esse sistema pobre, esse entulho da ditadura disfarçado sobre o verniz dessa já velha república. Portanto, não se surpreenda se os idiotas da direita e esquerda continuarem a pregar suas velhas “revoluções” em favor do status quo. Nisto os dois lados da militância estão certos, eles se conhecem bem e sabem que querem a mesma coisa, governistas e oposicionistas sabem: são ambos golpistas; querem derrubar o pais e tomar o poder.

Por isso não se surpreenda com mais absurdos, ilegalidades ditas decretadas ou praticadas. Eles dirão e farão qualquer coisa “transformadora”, desde que isso mantenha tudo como está. Eles farão de tudo e seus macacos de auditório aplaudirão. A direita os macacos, por exemplo, pregarão que manter esse governo servirá para destruir de vez o que resta de toda esquerda (a verdadeira que evidentemente não é está no poder ou puxando seu saco). Já os macacos da esquerda insistirão em pregar que o seu malufismo é menos pior que o da direita. E claro, juntos das suas jaulas de zoológico não economizarão em jogar fezes um nos outros e no respeitável publico.

Agora. Juro. Se não fosse isso. E se soubesse toda capacidade anárquica da “estadista” Dilma, se desconfiasse dela como agente provocadora involuntária que é para quebrar o sistema teria até votado nela. Mas isso me tornaria também cumplice de seus crimes contra o povo brasileiro, porque Dilma não é uma anarquista. É talvez uma propagandista pelo ato, no sentido arcaico e pejorativo da palavra, de quem pratica o terror em nome da sua ideologia, ameaçando explodir todo mundo só para chegar ou se manter onde se quer. Por isso, pode até ser que o povo não tenha o representante que mereça ou seja a sua cara, mas a classe política finalmente tem.

Aliás esse governo gosta tanto de chamar desgraça evocando o getulismo, que se fosse teórico conspiratório diria que Dilma não é agente do “imperialismo americano”, é caricatura do Walt Disney mesmo. Mas não, estamos mais para vida como ela é de Nelson Rodrigues. Confesso que já nem consigo olhar para o Planalto sem imaginar a presidenta sentada na privada como Lima Duarte perguntando quem foi que desenhou caralhinhos voadores no seu governo.

De fato criticar Dilma não faz nem mais sentido, sequer tem graça, é simplesmente tão insólito quanto seu senso de governança. Sinto-me a criticar uma personagem, uma invenção, a legitima chefe de estado quando este foi de fato reduzido a uma quadrilha de políticos propagandistas de uma criminalidade surreal. Não. de um surrealismo criminoso, um movimento cultural onde até a honestidade é apenas impotência criminosa.

É incrível, mas caudilhos como ela e bolivarianos[2] como Maduro são tão ridiculamente inverossímeis que não nascem e crescem, precisam ser criados, e acreditar nisso. Porque passam a nítida impressão que se se tivessem planejado se desenvolver como são, não seriam nada, mas o oposto. As vezes me consolo pensando que cada um deles será para seu pais o que Bush Filho foi os EUA, a cara de idiota autoritária que precisamos ter para o mundo quando como povo nossa empáfia começa a encontrar seu fim.

Dilma não matou apenas a sua credibilidade. Ela matou a credibilidade do nosso sistema presidencial, não sozinha evidentemente, mas com ajuda de cumplices matou a democracia representativa. Precisamos ser justos com até mesmo como o personagem, ele não fez nada sozinho, nem mesmo do que não pretendia fazer. Talvez seja melhor olhar o momento e não para seus atores. Porque desta perspectiva podemos ver que nosso pensamento covarde e arcaico sempre foi podre, mas nunca fedeu tanto. De fato, ver a novela dela e seu vice com direito e Cunha com direito a registros documentais, espalhando o saco de bosta que é o governo o congresso e em especial o PMDB, o fiador de quem quer que seja inclusive do dela; a casa-mata dos filhotes da ditadura (como diria o mais dia o novo herói nacional) que sustenta historicamente tudo que há de pior é impagável. Figurativamente, é como se Stalin estivesse no poder e a direta defendesse a volta de Hitler, enquanto a esquerda gritasse também histericamente: Não! Ele fica, o outro matou mais! Isso não pode ser sério. É um filme de gangsters do Tarantino onde com armas cruzadas eles terminam atirando uns nos outros. Nós portanto que queremos ver a democracia livre destes atravessadores e usurpadores só devemos cuidar para que eles não matem a democracia junto com sua farsa e tragam mais uma vez ditadura- inclusive a não declarada.

Portanto, olhar com clareza e coragem para as decisões do STF, em especial sobre o impeachment é importantissimo. Elas não foram só reveladoras elas foram didáticas. Foram o marco que faltava da demostração da decadência institucional da nossa democracia representativa e poderes governamentais que antes fediam com muita flatulência, mas agora são obrigada a defecar mesmo. E não defeca por afundar as manobras do impeachment, que são tão porcas e baixas quanto as do próprios governistas. Mas porque explicitaram enfim quê a Justiça sempre serviu a quem todo mundo fora da bolha sempre soube: esse tipo de lei e a justiça tem lado e não é o do direito, mas o do poder, Ela serve para preservar prerrogativas as quais descaradamente ainda chamam de direitos.

Portanto não adianta chamar de bolivariano, o STF cumpriu seu papel que é defender quem está no poder. Certo que as instituições estão em guerra, mas as escolhas são obvias quando se você pensar a quem depende a cadeira que cada um se assenta. Alias tão belo quanto as decisões é o processo e a reação de governo e oposição durante o processo, o quanto eles prezam a constituição e as instituições especialmente quando estão perdendo. A justiça é parte deste sistema e não tinha como escapar, mesmo querendo deste espetáculo burlesco de antropofagia politica e institucional.

Em verdade o que o STF fez ao desenganar quem não está acostumado a ser contrariado foi ensinar pela experiencia o que o Estado. Portanto quem nunca sentir na pelo o sabor de estar a margem da sociedade. Nunca soube por vivencia o que ser desprezado como cidadania e ter vontade politica desprezada pelas instancias mais supremas dos poderes dou o meu cordial bem vindo. Bem vindo a casa da pobreza meus amigos burgueses, aceitam um cafezinho?

Pois é, e isso é só o começo. Meu amigo. Não ser ninguém politicamente é o básico da marginalização social. Vocês vão ver o que é bom para tosse quando tiverem seus direitos econômicos mais fundamentais, o direito a sobrevivência condicionados a fiscalização de certas comportamentos, atrelados a certas prestações de contas, concedidos como benesse mediande só e cumprimento de algumas contrapartidas a estas autoridades. Vocês vão ver o que é indignidade quando para ter seu direito ao mínimo vital garantido tiverem que comer na mão destas digníssimas exelecnias e seus competentíssima tecnocracia assistencialista. E vocês ainda reclamam de ter que engolir o PT controlando a vida pública do seu pais. Imagine agora o que é da vida dos coitados que você xinga que além de ter de escapar da miséria tem que suportar sustentar ou fugir desta gente controlando sua vida particular. Se há males que vem para bem esse é o único que eu vejo disto tudo. Depois deste governo, as pessoas conseguindo finalmente entender que ninguém merece se submeter a ninguém para poder simplesmente viver ou sustentar seus filhos.

De qualquer forma entenda você ou não o que está acontecendo, compreenda a condição do outro, se solidarize ou não com quem está dominado pela privação das necessidades, ver não apenas o executivo e o legislativo agindo com sua costumeira baixeza, mas o judiciário ter de obrar com suas entranhas expostas é a chance de assistir uma verdadeira aula de anatomia do corpo estatal, e uma necropsia de uma republica pode ensinar e muito sobre as doenças que podem matar uma democracia.

E se a morte da falsa democracia representativa é algo desejável, junto como os cargos e mandatos dos seus representantes (não as pessoas). O que não é desejável é que esse naufrágio arreste com ele toda o ideal democrático, e impeçam o nascimento absolutamente necessário da verdadeira liberdade e democracia a direta.

Parte IV Justiça cega para um povo mudo

Um pais pode não comete suicídio, mas ao se entrega a insanidade coletiva e letargia enquanto seus lideres o conduzem até a ruína, em verdade só incuba o momento da explosão e conflito social da necessidade a porta de todos. A resposta lenta ou inadequada da justiça a vontade popular ainda que adequada a sua próprias regras; a incapacidade de depor tiranos ou meros incompetentes e irresponsáveis do poder é um mal absolutamente necessário ao sistemas de alienação politica e econômica e que não tem como não ser expostos em momentos de crise sistêmica e institucional. Exposição ainda mais agravada quando da falta de caráter e competência dos atores institucionais.

Culpar Dilma ou o PT pelo fim da democracia representativa, ou a destruição das esquerdas é uma injustiça, gente sem caráter e escrúpulos para se prestar ao mesmo serviço não faltam. Quem pensa que Dilma o PT, ou mesmo o Temer e seu PMDB são o que pode acontecer de pior para o Brasil, está a desconsiderar que essa lógica só atrai o que há de pior e mais limítrofe para o poder. E não reclamem quando fundamentalistas religiosos os fanáticos cristãos tomarem o governo por não termos conseguido aperfeiçoar e proteger a tempo nossa democracia. Mas eles são apenas a parte mais visível, ou quase sempre mais visível do problema. As instituições consideradas mais “sagradas”, aquelas entidades que sustentam essa podridão para todos continuarem mamando, dos pequenos ao grandes poderes, dos bostinhas de movimentos sociais pelegos até os gordos e ricos banqueiros, todos que pretendem manter artificialmente não apenas um governo mas todo um sistema politico podre e obsoleto apenas para sustentar seus privilégios estão em verdade apenas cavando a cova de todos nós.

Se esses atores institucionais continuarem a usar seus cargos a serviços de pessoas e corporações moral e financeiramente falidas e não começarem a interpretar a constituição em favor do cidadão e não dos governos e entidades não serão só os políticos que caíram com o novo espirito do tempo mas as instituições comprometidas e apodrecidas com o velho e obsoleto status quo. Os membros do estado que se comportam como uma doença autoimune levarão todo o sistema ao colapso como se fossem um câncer e farão dos responsáveis por cada instuição se destruírem atacando umas as outras. E o fim deste filme não é uma propriamente uma terra livre mas uma terra sem nada nem ninguém.

Uma coisa é a queda de cargos e institutos que precisam cair, outra é a destruição desnecessária de dispositivos que poderiam contribuir para uma verdadeira reconstrução do pais. Recomeçar é preciso, mas não necessariamente do zero. Quanto mais preservamos da infraestrutura sobretudo jurídica mais rapidamente reconstruiremos a legitimidade e uma cidadania não apenas mais plena e igual, mas mais ampla e rica em direitos constitucionais.

Por tudo isso é boa toda a repercussão sobre as decisões do STF. Esse choque de realidade, para que as pessoas larguem mão de serem bestas e entendam que a democracia não depende de poderes e autoridades, de governos, e sim justamente do contrario: de liberdades e sociedades fortes. É boa, portanto neste sentido. Porque quebra esse culto aos poderes supremos e lideranças como representação da vontade do povo. Cultura que nos paralisa como sociedade dotada de direitos iguais e livre iniciativa.

Não importa se é a esquerda ou a direita, o brasileiro pode nem ser um fanático, mas é em geral um conformista submisso e pior confunde o ser capaz de ser feliz em meio a desgraça com ser uma hiena: rir feito um imbecil enquanto só come resto mesmo. Aliás, nem as hienas não são tão estúpidas. O brasileiro vive como se estivesse em permanente estado de graça; se ajoelhando e levantando o rabo para todos poderosos, baixando a cabeça para todo mundo e agradecendo por tudo que caia da mesa dos senhores da terra e do céu.

Quem é o pobre e o ignorante? Quem acredita nesta coisas porque não tem educação ou quem cultiva tamanha pobreza cultural para colher obediência politica, econômica e religiosa por privação existencial do próximo? A pobreza é sobretudo um estado de espírito: é a pobreza dos ignorantes ricos que se julgam livres entre um povo feito prisioneiro da pobreza- sobretudo a pobreza política. Não. pior ainda, dos que toleram a pobreza econômica reintroduzida por ideologias políticas.

O problema não está nos pobres que adoram seus patriarcas e matronas, mas os ricos que não tem a mínima ideia do que significa fraternidade, porque servem digamos deuses e signos bem mais materiais. O problema, portanto, não são os incultos, mas os aculturados que se julgam mais intelectuais sem ver que são mais fundamentalistas em suas ideologias materialistas que os mais pobres coitados em seus sonhos e ideais. Seus objetos de idolatria podem não ser nem tão paupáveis como um cruz ou dinheiro, mas eles também estão a espera do de um milagre: a escolarização como educação, o armamento como autoproteção. Um novo governo como liderança moral. Os doutrinados e escolarizados, deste a infância perdem a capacidade de perceber o quanto se agarram também a qualquer tábua de salvação, a salvador da pátria senão em pessoa ou instituições ou ideologias, por adorarem sobretudo a sua capacidade de racionalização dos seus ídolos e ideologias como se fosse razão. E seu culto só odeia uma coisa mais do que a razão: a fé na razão.

Dos crentes há aqueles que, por exemplo, ainda esperam que a Lava Jato e Moro salve o Brasil. Só não chamo ó Moro, de Lula da direita porque o próprio, rejeita esse tipo de sebastianismo. Você está indignado por comparar o otário que ainda põe suas esperanças no Lula com você que acredita na educação, na Justiça e no Moro? Talvez esteja sendo injusto com a importância de uma operação que mexeu, sobretudo, com a impunidade de oligarquias empresarias e uma cultura de corrupção politica. Mas, veja, não estou falando do mérito da operação, mas do significado dela para um povo infantilizado que não quer apoiar revoluções nem de esquerda nem de direita, mas continuar a adorar e gritar por seus ídolos pop.

É obvio que existem políticos sérios e honestos, assim como juízes, mas não se constitui um sistema com exceções. E sim com força de vontade e livre iniciativa traduzida em ativismo e responsabilidade social e politica voluntária. O resto, meu amigo, é o que eles te dão “de graça”, e mesmo que seja um direito natural seu, eles o transformam numa armadilha politica: em concessão, subsidio, ou beneficio governamental; é literalmente o direito a vida seu rendimento básico condicionado a subverniência politica, reduzido a uma bolsa-família ou escola.

Continue a bancar o tolo ou hipócrita se quiser; esperar um milagre é um direito seu. Mas não é a “Justiça”; não é a “Educação” que vão fazer do Brasil o que queremos. Se queremos Justiça precisamos construí-la; se queremos educação precisamos nos esforçar para ler o mundo, mesmo sendo ainda analfabetos políticos. Não, não são políticos, nem muito menos os juízes especialmente os nomeados por políticos que vão mudar o país, somos nós desde que estejamos dispostos a não mais nos submeter a vontade deles que iremos constituir o Brasil. Não. Não serão estes radicais raivosos, compremetidos com as agendas das velhas esquerdas e direita, mas nós, simples cidadão comuns com toda náusea destes militantes fanáticos que iremos retomar nossos direitos civis que eles arrogam o monopólio para si.

Ou tomamos coragem e começamos a nos organizamos imediatamente para demandarmos uma nova democracia direta mesmo sem saber exatamente como ela será, ou amargaremos mais do mesmo. Por um motivo absurdamente logico: ninguém chega a lugar nenhum se ao menos não tomar coragem de abandonar o mesmo estado que tanto reclama.

Sim, os conservadores tem razão, o Brasil está do jeito que está, porque é feito de vagabundos e preguiçosos, mas eles não estão entre o povo trabalhador, mas entre a nossa burguesia sem coragem politica nem a direita nem a esquerda para largar o saco do governos e as tetas do governantes e apoiar a sua própria causa como integrante do povo. Consciente da sua vanguarda, até pelo tempo livre que dispõe para lutar, mas não seus pretensos lideres ou tutores.

Não, não ponham a culpa no povo. Não estou falando do povo. As pessoas que não podem ler estes artigos porque trabalham o dia inteiro, ou não o entendem porque nunca tiveram a educação necessária não podem ser cobrados por sua inação. Não é deles que não brancos nem livres o suficientes ainda para ir as tribunas ou praças públicas pedir por sua abolição sem levar porrada ou sem ser aliciado por manifestantes pelegos-profissionais que devemos esperar a revolução.

Não senhores, o brasileiro não é vagabundos porque não gosta de trabalho, o brasileiro mesmo de graça trabalha como um escravo independente da classe social. Somos sim um povo de vagabundos preguiçosos políticos. E é por isso que mesmo sendo gigante, ainda não tivemos propriamente nossa declaração de independência popular. Somos um país de analfabetos e ignorantes, mas não dos conhecimentos pre-fábricados por ideologias e ideólogos, somos analfabetos de realidade política.

Ter esperanças é fundamental, mas depositar nossas esperanças em um ideal que não seja nossa Libertação é pedir para ser enganado.

Nossa postura em relação aos EUA é paradigmática e reveladora quanto a isso. Os mais esquerda criticam o imperialismo americano. Os mais a direita ambicionam seu estilo de vida. Porém esquerda e direita são iguais em covardia sejam para competir sejam para enfrenta-los. Lá atrás antes se serem o que são (para o bem e para o mal) os norteamericanos fizeram sua revolução. E o que a esquerda e a direita pensam das revoluções no Brasil, mesmo as pacíficas? Eles se cagam nas calças. E até quando a anseiam, não lutam como crianças pedem para que alguém faça a revolução por eles. E não estou falando de golpes ou impeachments. Que neste caso só servem para tirar lixo para botar lixo. Mas das verdadeiras revoluções que não se importam com rótulos e se livram não só de governos tiranos, mas de regimes.

A pergunta portanto é porque aqueles que desfrutam do ócio necessário para os negócios políticos e econômicos, são proprietárias dos espaços, tempos e saberes livres necessários para construir o novo estão de braços cruzados? Porque os mais capazes não assumem sua responsabilidade social? São covardes ou só preguiçosos?

Porque a verdadeira elite brasileira está calada e parada olhando os brasileiros mais canalhas e limítrofes fazerem a historia do seu tempo, enquanto renunciando as suas liberdades e entregam até mesmo as liberdades de seus filhos covardemente para essa gente?

É mais do que evidente que esses bandidos não estariam em nenhum dos três poderes se não renunciássemos a dignidade enquanto direitos civis em favor desse criminoso estado de submissão que vivemos ao qual chamamos ainda de autoridade.

O que será mais preciso para alguns pessoas se levantem? Nascer de novo?

Todos sabemos que nem mesmo no poder judiciário a questão não é técnica nem jurídica. Nenhum deles é santo. Cada um tem seu time e interesses e não produz senão racionalizações aos interesses que obedecem. Talvez tenha até enganado alguns com os esqueminhas combinados- no melhor estilo nomeação cruzada de parentes para seus últimos pareceres. Mas é inegável: as últimas decisões da justiça obedecem a legalidade, e estão de fato tentando devolver o Brasil a sua normalidade, a velha “legalidade” que bem conhecemos. O whatap. A soltura do banqueiro. O adiamento de Cunha. O rito do impitimam, Tudo é decidido de modo que todos os atores possam se recompor, que possam negociar suas posições para que a peça recomeçe e o publico volte a assisti-la como gado embasbacado.

Não, eles não estão salvando Dilma eles estão fazendo o que podem para salvar um sistema. Porque onde passa um boi passa uma boiada. E os juízes são os responsáveis, sobretudo, por guardar essas porteiras da fazenda Brasil.

A Dilma ainda pode cair, mas definitivamente o que isso importa? O que menos importa agora para quem quer de fato uma mudança institucional e democracia no Brasil é que ela fique ou saia. A preservação do sistema e os interesses obrigou os últimos vestais do velho sistema podre a mostrar a sua cara para quem ainda acreditava que essa gente não era da mesma laia corporativa destes advogados fabricantes de pareceres sob encomenda. Pessoas que conheçam tanto o caráter sagrado do direito, quanto os padres e pastores que se servem do divino.

Em verdade vivemos um momento único. Eles não são santos, mas não deveriam ser tão estúpidos quanto os outros poderes para pressupor que o povo é tão idiota para engolir seus engodos a seco. Veremos em 2016, portanto, o quanto custou de credibilidade daquele que era o ultimo poder sério para os últimos brasileiros que ainda estão dispostos a serem enganados e desenganados felizes e contentes. Que caiam os esquemas e sistemas e fiquem os povos e nações, quem sabe enfim como uma verdadeira República Federativa do Brasil . Por que não?

Estou quase comovido.Agora não são dois poderes a revelar suas entranhas completamente desconexas da soberania popular, mas um terceiro que se pronuncia seus juízos a revelia do povo. Não há mais desculpas. Só fica agora esperando presente do Papai Noel quem gosta mesmo de ser engando.

Façam suas apostas.

A burguesia que acordar primeiro e conseguir superar primeiro o paradigma do cabrestos, da contrapartida, da cultura do toma lá da cá, a luta de classes e começar a fazer politicas públicas universais, sair das bolsas famílias e entrar nas rendas básicas incondicionais irá prevalecer. Será a esquerda, será a direita, serão os velhos autoritários reciclados e enrustidos, ou os verdadeiros libertários? Ou nenhum deles? teremos ainda um Edir Macedo da vida na presidência de um pais de ignorantes acomodados?

E você, meu filho? Vai querer qual pílula vermelha ou azul? Ou vai ficar com caralhilhos voadores mesmo?

A propósito: Feliz Ano novo, mas só se você quiser.

E Governe-se.

[1] E o burguês que não tem alguém muito bem educado na família que tenha bancado um Maluf ou Sarney que atire a primeira pedra na ignorância dos desescolarizados e sua persistência em votar em quem sustenta seus subsídios.

[2] Não há possibilidade de bolivarianismo para um povo, ou governos que sequer se reconhecem como latino-americanos. E se você pensa que isso é bom. É porque não conhece história, só propaganda — e de esquerda.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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