É o capital. Lítio: Do ouro negro ao petróleo branco

Quem vai governar o mundo?

Image for post
Image for post

Putin recentemente afirmou quem controlar as IAS inteligencias artificiais governará o mundo. Elon Musk contra-argumentou que as IAS são mais perigosas que as bombas nucleares e que “elas” poderiam desencadear uma 3 guerra mundial. Por “elas” leia-se sistemas de defesa automatizados onde a tomada de decisão é efetuada por algorítimos “inteligentes” que poderiam desencadear um ataque preventivo calculando que está seria a melhor forma de “defesa”. Ou seja, não seria a simulação de nenhuma inteligencia artificial, mas da estupidez humana. Cá entre nós, nada que a inteligencia de um estadista tipo Bush não seja capaz de fazer pensando sozinho, sem a ajuda de computadores nem ninguém. Ou mais precisamente pensando assim. Mas essa não é questão.

A questão aqui é aquela que habita a mente dos estadistas, tal e qual as vozes na cabeça dos esquizofrênicos e que não param de falar com eles, produzindo fixações e fantasias que as vezes comandam sua ações. Há por exemplo os fixados em agarrar as outras pela buceta, outros já não conseguem parar de fantasiar o que fazer com o fiofó dos outros, em particular de jornalistas gringos “muito bem apessoados”. E enfim outros que sublimam melhor (ou pior) tudo isso é só pensam naquilo: “quem vai governar o mundo”. A questão putiniana. Mas não só dele. E não só de estadistas.

Partilham desse fetiche esquizóide outras pessoas quando pobres malucos, quando ricos, capitalistas. Mas não pouco, muito ricos, ricos o suficiente para financiar suas loucuras e satisfazer ou seja os megacapitalistas. Entre esses estão aqueles que acreditam que quem vai “governar o mundo” (ou praticamente isto) serão os grandes proprietários e controladores dos meios de transação comercial e financeira do futuro: as criptomoedas. Que aqueles que detiveram grandes quantidades desse capital serão capazes de controlar as economias com suas compras e vendas; e expandir seus mercados com ofertas em grandes bolsas de valores. Exatamente como fazem hoje os megacapitalistas com seus fundos e bancos juntos aos governos e bancos centrais nacionais e a industrias dos endividamentos transnacionais. Ou seja, há aquelas que acham que não precisam necessariamente vencer ou perder guerras, basta bancá-las. Que sabem que que basta bancar os governos (e governantes) para governar de fato o mundo. Ou mais precisamente não estão muito preocupados em quem vai governar o mundo, mas quem vai ser o dono dele. Pois para eles governos e governantes não passam de meros administradores, gestores, enfim empregados trabalhando por seus interesses, por seu capital.

Há ainda entre um terceiro grupo, formado tanto por grandes estadistas quanto grandes capitalistas, que também entende o valor dos mídias de tele-transação (moedas digitais), as midias de tele-comunicação (internet); e já começam a sacar que também que esse “novo” mundo será também administrado por midias de tele-representação (governos digitais); Putin entendeu que os novos códigos de Hamurabi não poderão ser escritos em pedra, nem papel, mas em códigos de computador os codex das civilizações não só terão que conversar como os computador eles terão que rodar nos computadores, se confundir com eles, entendeu quase que por instinto de animal político que a jurisdição não se dará mais por processos que geram sistemas, mas sistemas que processam. Daí ele sabe sem precisar parar para pensar - e portanto do ponto de vista da seleção natural sabe de forma mais eficiente que as inteligências que estão criando estes saberes e tecnologia, e que precisaram parar para pensar “o que estamos fazendo?” — ele sabe que quem formular os algorítimos, ditar os códigos e controlar o sistemas operacionais das sociedades do futuro, controla literalmente o mais novíssima ordem, a mais atualizada das máquinas estatal. Ou mais precisamente o Estado Pan-óptico em sua nova forma: a tele-informacional e automatizada. Ele simplesmente fareja o poder como o tubarão fareja o sangue na água. E para quem não sabe não é com o nariz. Nem e ele nem o tubarão. Fica a dica para quem desenvolve inteligencia artificial: nem todos os imputs são de receptores sensoriais (e logo “transmissores”) (re)conhecidos.

Seria então mesmo o controle dos meios de produção e gestão política e econômico o fator determinante para controlar e não os transacionais? Não. Não cada um isolado dos demais, e não só eles. Numa ordem de fatores podemos entender que a industrias das transações virtuais ou não, não deixa de ser uma industria de tal modo que com controla os meios da sua produção por consequência a controla. Porém como a própria produção dos meios de produção também se complexifica nesses sistemas, ela também carece dos meios tele-transacionais para funcionar. Logo a questão: quem vai governar ou ser dono do mundo, exigiria que um tirano ou corporação estatal ou privada megalomaníaco controlasse a totalidade desses setores, tivesse o monopólio absoluto do “sistema”? Não pelo contrário a interdependencia funcional do sistema é uma faca de dois gumes. Pois da mesma forma que basta que esses meios e recursos estejam estejam distribuídos não de forma absolutamente igual, mas não de forma extremamente desigual para quebrar essas pretensões totalitárias. Por outro lado, pela mesma razão, não é preciso o monópolio absoluto do sistema, ou de nenhum dos seus setores, mas tão somente a concentração suficiente de qualquer um deles para produzir a assimetria de poder necessária para “governar o mundo”, ou ser seu “dono”.

Entretanto, evidente que na ordem da produção de posses ou poderes aquele que concentra os meios e recursos mais primários a preservação e reprodução de toda cadeia produtiva do sistema, detém um poder na qualidade do capital muito mais efetivo para negociar agressivamente ou impor sua oferta, do quem tem em relação a na sua demanda uma necessidade funcional quando não vital. Não é uma só questão de deter a matéria-prima ou o meio de produção reprodução ou distribuição mas os recursos e meios estratégicos ao funcionamento de todo sistema. Num sistema todos esses recursos e meios são estratégicos ao funcionamento de cada setor, a concentração dos meios e recursos de qualquer setor pode gerar um poder capaz de se impor sobre os demais. Se impor não propriamente por sua capacidade de produção, mas justamente por sua capacidade de parar e causar prejuízos a toda cadeia produtiva. Porque quem concentra os recursos e meios de um setor controla diretamente apenas esse setor, mas também indiretamente toda a cadeia de processos do sistema, tanto quanto mais estratégico — isto é, mais necessário a manutenção do sistema e suas funções. De tal modo que quanto mais primário forem esses meios e recursos dentro da cadeia produção, quanto mais imediato for prejuízo potencial ao funcionamento de todo o sistema, maior o poder de coercitivo de negociação de quem os detém esses capitais e consequentemente seu poder sobre o mundo.

Em termos gerais, portanto para se governar o mundo não basta apenas deter um determinado capital de forma desigual para gerar o poder necessário para governar ou ser dono do mundo, é preciso concentrá-lo de forma exclusiva e excludente a uma desproporção suficiente para gerar uma ameaça de prejuízo real a todos os demais. Sendo ainda impossível concentrar todos capitais em todas as suas formas, para monopolizar ou governar é preciso concentrar não o máximo possível dos recursos e meios mais vitais e estratégicos, mas tão somente a quantidade de recursos vitais e estratégicos suficientes para gerar escassez e privação. Logo quanto maior for a concentração de um determinado recurso e quanto mais estratégico ao sistema de produção, ou vital as próprias populações maior será a potência de um determinada entidade politica ou econômica.

Logo falta na equação de poder da atual fase do capitalismo dois outros fatores ainda mais determinantes para todo o sistema: ambos recursos naturais, um vital e cada vez menos abundante, o outro raro e estratégico: água e lítio. “Quem vai governar o mundo?” Quem controlar a água ou o lítio?Quem controlar as reservas de água potável ou petróleo branco? Não sei, mas sei que as guerras (militares e econômicas) do futuro serão travadas para tomar a posse e controle desses recursos. Com certeza terão (também) robôs e IAs nos campos de batalha; com certeza serão financiadas (também) com criptomoedas, mas me diga pelo quê os estatopatas matam e morrem (ou melhor mandar matar e morrem) e o que você saberá exatamente o quê é preciso controlar para “governar o mundo”.

De tal modo que a minha dúvida não está se aqueles que dominarão as sistemas tele-transacionais monetários financeiros (mercados), ou os sistemas de produção e gestão pública e privada automatizados e tele-informatizados. Em geral são os mesmos grupos e seus fundos controlam as duas coisas. A grande questão é qual recurso será o fator mais determinante da dominação de um governo sobre um povo, e consequentemente de um governo sobre outro. Serão os recurso mais fundamental a preservação da vida, depois do ar respirável ainda não suficientemente rarificado (lei-se destruído) para ser capitalizado- por enquanto. Ou o recurso mais primário de funcionamento do novo sistema sócio-econômico o lítio, o “combustível” das novas máquinas, o alimento dos burros de carga do futuro.

Olhando para o passado recente podemos precipitadamente responder que petróleo branco, a guerra pelo lítio, prevalecerá. Mas isso vai depender da extensão da escassez de água potável. Porém, o calculo não é o de rede de acesso a água potável para 7 bilhões de pessoas. Não é água para a toda população humana, mas água evidente para quem detém o capital somada tão somente a um número restrito de pessoas cujo trabalho seja estritamente necessárias para reproduzir o capital. Um calculo onde as populações marginalizadas tendem a crescer tanto pelo taxa de natalidade, quando pela literal substituição de emprego das pessoas por máquinas. Mas não se preocupe porque os cientistas e intelectuais do grandes centros provam (e os provincianos reproduzem): o progresso sempre melhora a vida de todos os povos e pessoas, ricos ou pobres, é inegável ele melhora as condições de todas as pessoas… todas as pessoas que sobrevivem- ou que são pessoas com direito de fato a serem pessoas. É a matemática da ciência do holocausto. Povos e pessoas exterminadas fora, todos demais ganham. Qual seria a visão dos 6 milhões de judeus queimados em campos de concentração sobre o progresso da computação e da racionalização da produção em massa? ou então dos índios da cura de doenças… que eles sequer tinham antes dos supremacistas fazerem seu cálculos do seu progresso depois de tribos inteiras dizimadas? Seria a mesma dos pessoas, famílias e povos que vão ser “extintas” na marcha do progresso do outro?

É incrível como a pseudo-ciências dos supremacistas acompanha a própria marcha do seu processo, se prestando a racionalizar justificar e registrar como a totalidade absoluta da história. É incrível como o papel reproduz o ato. Quando não eliminam as pessoas dos seus cálculos, enquanto pessoas, as eliminam recortando o espaço e o tempo da sua projeção seletiva do passado e do futuro. Será que a fé nesse mito e sacerdócio do mito progresso seria a mesma se eles não fossem os sujeitos do seu beneficio mas objetos dos seus sacrifícios e holocaustos? Será que esses homens-bolha teriam a mesma opinião da universalidade do progresso se fossem seus filhos a serem esmagados por pilhas de lixo na Africa? Se eles fossem as “cobaias” e não os “cientistas”?

Mas isso é a digressão. O que interessa aqui é que a produção até mesmo das saberes e inteligências é também um industria submetida assim como toda a produção humano aos valores conceituais que estabelecem os valoração material dos seres e coisas, ou dos seres reduzidos a coisas. Sujeitos não seu valor próprio inalienável, mas objetos alienáveis de acordo com a valoração alheia. O que interessa é entender a lógica de quem programa o sistemas políticos e econômicos. Como esses programadores processam, computam, equacionam e contabilizam tudo, ou seja significam, qualificam e quantificam as “coisas”, incluso essa coisa chamada vida. E dentro dessa lógica dos sistemas politico-econômicos o valor da vida humana (alheia, é claro) está no trabalho, ou mais especificamente na sua capacidade de produção e servidão. De tal modo que aquilo que não é produtivo (para eles e dentro da visão deles) é lixo. E do lixo se livra ou no máximo se recicla.

Dentro dessas visão estratégica, o controle dos alimento e campos agricultáveis é também igualmente importante. Porém, como a palavra diz estamos falando de estratégia, e um povo ou um exercito certamente capitula ou morre antes sem viveres, mas muito mais rápido sem água. E água em desertos naturais ou artificiais vale mais que ouro.

Mas esse é justamente a qualidade que fez do petróleo e fará do lítio o ouro do futuro, o combustível do progresso…das utopias e distopias: ele é o alimentos dos substituto dos escravos e bestas de carga. Guerras por petróleo foram substituindo guerras por áreas férteis, não apenas porque as máquina permitia aumentar a produção inclusive agrícola, mas porque as máquinas já vem substituindo o homem e animais como exército militar quanto industrial. De tal modo que o controle de uma população gigantesca não determina a potencia de uma nação, mas a potencia em cavalos ou homens que o trabalho das máquinas são capazes de produzir.

Em nossos sistemas de exploração de trabalho servil, os autômatos vêem substituindo os alienados em todos os setores, de forma cada vez mais rápida e acentuada a cada nova revolução industrial. E não só o humano vêem perdendo sua importância e valor em todos os sentidos materiais mas sobretudo o produtivo. Como o maquinário e consequentemente os recursos e meios que o sustentam e reproduzem tem crescido em importância funcional ao e sistemas politico-econômicos e logo estratégica aos Estados-Nações e suas corporações transnacionais “privadas”. E os seres e elementos naturais que tinham valor e importância estratégica dentro do sistemas políticos-econômicos apenas como meios (vitais e ambientais) e recursos (naturais e humanos) necessários a preservação e reprodução do capital e seus detentores. Cada vez mais sequer esse valor tem.

É o dilema da “abolição” das escravidão. O escravo que antes era tratado com o todo “cuidado” ou perversidade que seu senhor reservava as seus animais e posses. Ao perder seu valor “produtivo para escravagista como pessoa livre se torna não apenas o marginal, mas é efetivamente marginalizado. Não apenas expropriado do capital, mas excluído do próprio mercado do novo trabalho servil, o assalariado. Agora se era difícil para alguém criado para ser escravo competir com um imigrante, imagine para um homem criado para ser empregado competir com máquinas… Alguém pode dizer mas nós temos o poder do consumo. Caso você não saiba, ex-escravos e seus descentes também consumem e nem por isso tem um mercado para sua raça, nem escaparam do genocídios urbanos.

Um dilema experimentado não apenas nas Américas, mas por exemplo na grande fome da Irlanda na Índia durante o Império Britânico ou a na Ucrânia durante o Regime Soviético. Quem não perde literalmente sua serventia seja por falta de capacidade ou resistência ativa ou passiva a servidão é quebrado ou então eliminada também passiva ou ativamente. De forma mais lenta e dissimulada e desorganizada, ou até mesmo de forma rápida sistematizada em série, não como inimigo, mas lixo humano.

E aí quem então vai governar o mundo? Quem serão os novos landlords?

O dono da Rússia diz que serão quem controlar as IAS. o dono da Tesla diz que essa muito provavelmente essas corrida vai provocar os próximos holocaustos em massa em blitz, também chamados de “guerras mundiais”. Eu que não sou dono de porra nenhuma, mas um escrava isaura, mas existo, resisto e as vezes até penso, digo: quem controlar o lítio para alimentar suas máquinas de guerra geopolítica e econômica vai controlar a aguá e impedir ou esmagar qualquer levante dos sedentos hoje por justiça, amanhã por sobrevivência. Mas bem antes disso, quem controlar o coração e mente dos alienados de hoje controlará o destino das monoculturas de gentes e suas incríveis máquinas que sobreviver. Prevalecerá sobre a próxima leva de futuros seres humanos a serem descartados.

Afinal de contas a “ciência” explica: o que é uma vida perdida ou sacrificada perante milhares que vão sobreviver e se reproduzir? Desde que não seja a minha…

Pois é. E depois os índios é que eram os idiotas que trocavam seu ouro e sua terra por bugigangas, perdão, gadgets.

Ou como diria os ideólogos engenheiros do supremacismos: é tudo uma questão de seleção natural, os “fracos” e “idiotas” de um jeito ou de outro sempre são exterminados pela “evolução” e progresso… a evolução e progresso… de quem literalmente ficar para contar a história, a sua história é claro.

De longe de todas as degenerescências da natureza e inteligencia humana a mais patológica covarde e perigosa é não que apela arrogância e supremacia da violência mas aquela que busca justificar seus domínios e extermínios pela ausência de resistência violenta e autoritária das suas vítimas. Tão odioso quanto a escravidão e o holocausto são as justificativas de quem não pode ou não quer oferecer resistência a violência com violência “merece” “naturalmente” morrer ou não merece viver.

E sabe o que é o pior dessa monstruosidade? É que quando ele deixa de ser uma fantasia, para ser uma realidade imposta a força. De fato seus domínios não se quebrar sem reação. Quando seu progresso entra em marcha sejam com maquinas, bestas ou homens, eles se tornam cegos e surdos as palavras e gritos dos homens que passam por cima. Rigorosamente são sistemas que só entendem processam nem respondem a mais nenhuma outra linguagem… só a sua.

Não é só o poder e a guerra que são uma corrida. A paz e liberdade também. Uma corrida que nós- que não queremos pegar em armas -estamos perdendo para quem está fabricando em massa o seu “progresso”…

Foi-se o tempo em que o preço da liberdade era a vigilância constante da sociedade, hoje o preço da liberdade é a proteção mútua e preventiva constante dos recursos e meios vitais e estratégicos, não só como povo ou nação, mas como pessoa humana, como individuo, como cidadão do mundo.

Estamos apenas fugindo da luta, da responsabilidade do nosso tempo, da nossa geração. E a luta civil, a responsabilidade social que uma geração foge, é a guerra que a seguinte é obrigada a lutar no lugar dela.

Image for post
Image for post

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/06/1892026-oferta-de-litio-pode-nao-ser-capaz-de-acompanhar-avanco-de-carro-eletrico.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/maragama/2017/03/1867205-coalizao-contra-fracking-do-solo-tem-primeira-vitoria-estadual-no-parana.shtml

http://envolverde.cartacapital.com.br/guerra-no-oriente-medio-esta-ligada-a-agua-e-nao-ao-petroleo/

Written by

X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store