É a ideologia seu idiota

O problema não é só o Cunha é o direitismo mesmo

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Assim como o esquerdismo o direitismo é um mal por definição, é suposição da supremacia de uma ideologia como moralidade superior a lei e a ordem livre e natural. Um crime que não precisa da lei dos homens para ser punido. Ou como diz o ditado “quem come prego sabe o cu que tem” ou pelo deveria.

Se livrar de bandido e mal caráter sempre ajuda. Mas há que se lembrar que toda ação tem um limite de adesão popular inversamente proporcional a radicalidade da sua ideologia. Não importa se direita ou de esquerda, se é o ideal certo ou errado, o ideologismo impregna toda manifestação de um carater que afasta pessoas. Pessoas que mesmo se identificando com os propósitos programáticos da manifestação não compram a venda casada das ideologias que não são as suas.

Não é portanto então só uma questão de Cunha segurando a Dilma. O anti-petismo transformado em anti-esquerdismo impede que as manifestações atinjam não apenas as camadas populares que se identificam com as causas sociais da esquerda, impede que muita gente moderada vá aos protestos. É o mesmo mal que mataria o Petismo por isolamento, se ele não tivesse se suicidado em contradição insuperáveis e banditismo puro: o mal do totalitarismo; um radicalismo autoritário que só gente fanática ou vendida consegue engolir.

Claro que não se pede, nem é bom ou necessário que a direita deixe de ser o que é para que os protestos se abram para toda a população. Só é preciso que essa nova direita que se diz liberal não compadeça do mal das esquerdas populistas que por defender uma causa do interesses de todos (assim se supõe) acreditou que a toda população iria comprar seu ideário doutrinário junto. Se não for obrigado não compra, ou melhor até compra ou finge mas só se for do seu interesse.

Por isso ou as manifestações renunciam ao caráter totalmente direitista, ou dificilmente vão receber o apoio popular necessário, por um simples motivo, o povo não compra ideais, compra causas, especialmente as suas.

Dizem que o povo não pensa com a cabeça, pensa com a barriga, mas isso é justamente apenas uma forma estupida preconceituosa de dizer uma verdade inconveniente que todos sabemos: fora os idiotas alienados as pessoas se movem por seus interesses. Claro que existem pessoas com mais inteligencia e sensibilidade que outras para compreendem o quanto seus interesses vão além da ponta do seu nariz, e portanto outras tão parvas que não só não veem nada além do seu umbigo como supõe a sua desinteligencia como o padrão de toda humanidade- como se o que lhe faltasse fosse a lei natural ou a natureza de nossa espécie. Mas em geral até mesmo os mais estúpidos e desonestos entre os preconceituosos e supremacistas sabem: o povo também precisa ter a barriga minimamente cheia e algum tempo livre para poder também cuidar dos negócios públicos.

Em outras palavras:

Ou a direita humanista se distingue do fascismo puro, recupera um pouco da inteligencia solidaria e estratégica da velha burguesia revolucionária e passa a admitir um mínimo de igualdade e liberdade para se confraternizar com o povo ou mesmo sem seguir os passos da esquerda populista e mentirosa vai ter o mesmo fim deles.

Não adianta nada ser só honesto principalmente quando suas reais intenções o aproximam mais do fascismo, do que do humanismo. O fato dos defensores dos direitos dos povos marginalizados serem bandidos, mentirosos e traidores não torna negros simpatizantes da KKK. Pelo contrario joga o povo no colo de bandidos, da mesma forma que o próprio movimentos oposicionistas sentaram mais do que no colo do Cunha- diga-se de passagem colo bem disputado e dividido com os governistas.

Inimigos e indignidades em comum só fazem revoltados, mas revolucionários capazes de revitalizar nações só nascem da solidariedade entre aqueles suficientemente inteligentes para se reconhecerem de fato como iguais contra todos os tiranos. Não senhores, vocês não receberam a solidariedade daqueles que vocês julgam inferiores, porque o povo não é idiota; ele não vai se mexer para tirar tiranos para dar lugar a tiranos que no final das contas vão de novo copular sorridentes entre si.

Isso não quer dizer que não se vá atingir o ponto de ebulição social. Talvez a infinita capacidade autodestrutiva do governo faça o serviço por vocês. Mas a isso será mais uma realização deste governo.

Definitivamente eles não representam o povo. Mas a direita representa o povo? A esquerda representa o povo? Quem em nosso tempo pode se arrogar a representação da vontade popular como coletividade e não se tornar instantaneamente ilegitimo e rejeitado? Ou a manifestação se abre a diversidade e pluralidade ou evidentemente não vai sair dos círculos que se autoafirmam e reforçam fechados pela lógica segregatória e imbecilizante de redes sociais orwelianas e fascistas feitas para apartar as novas massas — a saber: os Facebostas da vida.

Não adianta tentar ser o que não se é nem incorporar agendas que não lhe pertencem e que não se identificam, a que se abrir os protestos para todos que não compartilham do ideário dos organizadores. Há que se depor sobretudo as ideologias se quisermos depor os tiranos. Especialmente os tiranos que sem conhecer ainda nascem crescem em em todas ideologias.

Ou os protestos se abrem ao espirito do nosso tempo, ou para superar o limite de suporte ideológico terão que dar tempo ao temo o que no caso do genial estadismo dilmista é simplesmente dizer esperar qual será a próxima merda. E se esta é toda a estratégia da oposição, não se surpreendam se o lulistas derem a volta por cima porque se uma coisa que aprendi é que não basta ser honesto, não basta defender o que é certo, há que no mínimo não ser ingenuo, nem idiota insolidário.

Quem odeia os ratos que tomaram sua casa deveria parar de cagar na sua vizinhança. Muros não te protegem contra os verdadeiros bandidos, os que tomam o poder, eles apenas te alienam e alimentam a tua ignorância do que realmente está acontecendo nos lugares que você nem sabe que existe e com as pessoas que você nem quer saber se existem. O poder dos populista cresce da insolidariedade social. E se você está se perguntando por que é que não dirijo minha mais minha crítica a esquerda e a sua intelectualidade. A minha resposta é simples: Que esquerda? Que intelectualidade?

E se você acha que minha critica é de última hora releia minha carta a direita aqui.

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X-Textos: Não recomendado para menores de idade e adultos com baixa tolerância a contrariedade, críticas e decepções de expectativas. Contém spoilers da vida.

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